quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Opinião - The Chosen

Ficha Técnica:
Autor: J. R. Ward
Série: Black Dagger Brotherhood, #15
Páginas: 432
Editor: Ballantine Books
ASIN: B01IZTCC2G

Sinopse:
Xcor, leader of the Band of Bastards, convicted of treason against the Blind King, is facing a brutal interrogation and torturous death at the hands of the Black Dagger Brotherhood. Yet after a life marked by cruelty and evil deeds, he accepts his soldier’s fate, his sole regret the loss of a sacred female who was never his: the Chosen Layla.

Layla alone knows the truth that will save Xcor’s life. But revealing his sacrifice and his hidden heritage will expose them both and destroy everything Layla holds dear—even her role of mother to her precious young. Torn between love and loyalty, she must summon the courage to stand up against the only family she has for the only man she will ever love. Yet even if Xcor is somehow granted a reprieve, he and Layla would have to confront a graver challenge: bridging the chasm that divides their worlds without paving the way for a future of even greater war, desolation, and death.

As a dangerous old enemy returns to Caldwell, and the identity of a new deity is revealed, nothing is certain or safe in the world of the Black Dagger Brotherhood, not even true love . . . or destinies that have long seemed set in stone.

Opinião:
Já há algum tempo que os leitores desta série andavam a implorar para que fosse contada a história do Xcor e da Layla. Esta é uma relação complicada porque um dos personagens pretende destruir Wrath e o outro jurou-lhe lealdade. Nos livros anteriores já tinhamos começado a perceber uma mudança em Xcor e na sua atitude, mas é neste livro que essa transformação se conclui. A sua história de vida não é propriamente descomplicada, e um vampiro que poderia ter sido bastante decente acabou por se tornar alguém sem escrúpulos. Gostei de ver o Xcor a voltar a ser o tipo de pessoa que era enquanto criança. Ao mesmo tempo foi gratificante ver a Layla a encontrar o seu caminho e a sua força. Ela sempre se foi alguém que se sentia perdida e dividida e finalmente aprende a lutar por aquilo em que acredita e a encontrar o seu lugar neste mundo.

Como li algures, este livro não serve para que Layla e Xcor trabalhem a sua relação e cheguem a um equilíbrio. Serviu sim para que a irmandade se adaptasse a uma nova realidade e ficasse a perceber que tipo de pessoa é realmente o líder do bando de bastardos. Claro que as coisas não foram fáceis para os nossos personagens. O Qhuinn mostrou-se bastante intransigente durante a maior parte do livro, e também bastante descontrolado com toda a situação. No fim as coisas acabaram por correr pelo melhor pois este ficou a perceber o que é realmente importante e o que significa ser família.

Tirando a linha principal da história, houve revelações bastante interessantes. Finalmente foi revelado quem o sucessor da Virgem Escrivã e pensando bem não foi algo tão inesperado como pode parecer. Os sinais estavam todos lá. Houve também alguns desenvolvimentos quanto a outros personagens, como por exemplo relativamente a ____. Estou curiosa para saber quando é que vai ser explicado o que aconteceu, apesar de ser óbvio o que aconteceu. Ao mesmo tempo tenho curiosidade em saber o preço que houve a pagar. O outro personagem que também teve algum destaque foi o V. Li algures que as coisas vão ficar ainda piores antes de melhorarem e tenho receio do que isso possa significar para ele e para a sua parceira. O facto de o Vishous estar constantemente a suprimir os seus sentimentos não augura nada de bom e de certo modo tenho algum receio de até onde a autora o vai levar antes que quebre.

Entretanto foi introduzido um novo poder maléfico que desperta através do Throe e não faço a mínima ideia do que é ou do que possa significar.

O próximo livro é da Sola e do Assail, não é propriamente um casal que me entusiasme, mas tenho esperança que a autora consiga mudar os meus sentimentos.

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Opinião - Love, Come to Me

Ficha Técnica:
Autor: Lisa Kleypas
Páginas: 400
Editor: Signet
ISBN: 0451236335

Sinopse:
When strong and handsome Heath Rayne pulled Lucinda Caldwell from a winter river, he rescued her from an icy death. But soon he was plunging her into a torrid torrent of passion that this New England beauty had never suspected could claim her. Heath was unlike any other man Lucy had ever known: a dashing, mocking, sensuous Southerner who came as a stranger to Lucy's town-and stayed as he stripped away her last shreds of resistance to the demands of desire and the flaming fulfillment of love...

Opinião:
Esta é uma autora que não considero propriamente extraordinária, mas que serve para me entreter quando pretendo ler um romance histórico simples e que me vá entreter. E mais uma vez funcionou na perfeição e foi de encontro às minhas expectativas.

Quanto aos personagens, é fácil gostar da personalidade de ambos. O Heath é uma pessoa bastante à vontade, sem preconceitos e sem uma postura na rígida na sociedade. É alguém que pretende mudar o mundo através da palavra e que acredita que as coisas devem ser abordadas de uma maneira crua, sem embelezamentos. A Lucinda tem uma personalidade determinada. Sabe o que quer e não deixa que outra pessoa dite o seu comportamento. Ao mesmo tempo é uma pessoa bastante inteligente que sabe que o mundo não é preto e branco, e que tem a capacidade para ver para além daquilo que rotula as pessoas. O romance de ambos vai evoluindo ao longo do tempo, não é apressado, a autora cria momentos de conexão entre os personagens que fazem o leitor acreditar na sua relação. Isto apesar de todos os contratempos. Apesar de serem vários, não me senti frustrada nem fiquei com a sensação que a autora estava só a arranjar problemas porque sim. Achei que os problemas que foram surgindo foram naturais e bem introduzidos.

Outro aspecto do livro que gostei foi os temas, o modo como se vivia a escravatura, o modo como a guerra fez uma nação ficar dividida e cada facção considerar-se superior à outra. Como o sítio onde uma pessoa nasceu a define mesmo que na realidade esta não tenha os mesmos valores que os seus conterrâneos praticam. A guerra é uma coisa feia que muda as pessoas e traz muitas vezes ao de cima o pior que cada um tem em si. Ao mesmo tempo mostra-nos novamente como as mulheres eram consideradas umas tontinhas e no geral eram os homens que as governavam e que lhes diziam como se comportar. Claro que tal não iria acontecer com os personagens principais, mas continuam a existir bastantes exemplos que deixam uma pessoa triste pelo simples facto de se ver como as mulheres eram tratadas.

Assim sendo foi um romance que alcança os seus objectivos, entreter o leitor e deixá-lo com uma sensação de fofura devido à história amorosa do casal principal.

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Opinião - A União Sagrada e Vozes da Profecia

Ficha Técnica:
Autor: David Anthony Durham
Título Original: The Sacred Band
Série: Acácia, #3.1 e #3.2
Páginas: 383 e 320
Editor: Saída de Emergência
ISBN: 9789896376710 e 9789896377380
Tradutor: João Pinto e Fernanda Semedo

Sinopse:
A União Sagrada:
Três irmãos ainda sobrevivem, líderes que traçam um novo caminho para o Mundo Conhecido. Estarão à altura dos desafios que se lhes deparam?

A Rainha Corinn domina o mundo com o seu conhecimento profundo dos feitiços encontrados em A Canção de Elenet. O seu irmão mais novo, Dariel, torna-se numa figura mítica nas Outras Terras, enquanto a sua irmã, Mena, viaja até ao Norte Distante para defrontar uma invasão desencadeada por uma raça violenta decidida a conquistar o Mundo Conhecido. Os seus percursos individuais acabam por convergir em batalhas tumultuosas e os desafios que terão que enfrentar podem alterar a terra em que vivem para sempre…


Vozes da Profecia:
No último livro desta saga épica têm lugar confrontos de poderes e energias inconcebíveis, personagens veem o seu destino cumprido e os desígnios para Acácia serão elevados até à glória redentora.

A Rainha Corinn restaurou a dinastia Akaran ao conseguir manipular a magia terrível sobre o mundo conhecido. O seu irmão mais novo, Dariel, prossegue na sua jornada pelas Outras Terras, tendo-se tornado num defensor da liberdade dos escravos. E Mena avança para norte liderando um exército para aniquilar uma ameaça latente a Acácia, o povo semi-imortal Auldek.
Com punho de ferro e hábeis estratégias políticas, a jovem Rainha reprime uma insurreição e impede a violência de se alastrar no reino… mas à noite é atormentada com sonhos horrendos. Resta-lhe manter a força de espírito para assegurar algo quase impossível: a prosperidade e união pacífica de todas as raças.

Opinião:
E finalmente chegamos à recta final. É tnaõ neste soids livros que tudo chega a uma conclusão e que os personagens acabam por encontrar o seu destino bem como criar uma vida melhor para o povo de Acácia.

Enquanto que me recordo de ter gostado bastante dos dois livros anteriores, estes voltaram a desapontar-me um pouco. Isso acontece essencialmente porque achei que o autor andou a enrolar grande parte dos livros.

A história continua a seguir o ponto de vista dos quatro irmãos, enquanto lutam as suas batalhas, bem como outros pontos de vista de personagens que já conhecemos.

Sem dúvida que as partes que mais gostei de ler foram as relativas a Mena. Adoro o facto de ela ser uma completa arma de guerra, mas ao mesmo tempo ser alguém capaz de tanto amor. A Corrin continua a ser personagem de que menos gostei. Fria e calculista, foi preciso acontecer uma desgraça para que finalmente começasse a percorrer um caminho diferente que a levasse à redenção.

Aqui acabamos por ficar a saber quem são realmente os Santhoth e a proveniência da canção de Elenet. Ao mesmo tempo ficamos a conhecer a proveniência dos Lothan Uklun e de como eram capazes de fazer as suas supostas magias. No fim percebemos que tudo tem a ver com vingança, e para não variar quem paga é o povo.

Apesar de a maior parte das explicações serem devidamente dadas e de o autor finalizar a história de cada personagem, houve pelo menos uma situação que achei que não foi bem pensada. Isto tem principalmente a ver com a forma como Aliver resolve a guerra. Ao fim e ao cabo as crianças da quota ficaram com as Outras Terras. Assi sendo os Auldek não tem propriamente para onde voltar. Não sei até que ponto as coisas vão realmente resultar, ou se não poderão existir conflitos sobre quem é que fica com o quê.

Considero então que a trilogia não foi nada de extraordinário. Se bem que houve alturas em que me senti sentimental para com os destino e as acontecimentos de algumas personagens a verdade, é que a história em si não me tocou nem cativou. De certo modo foi bom para que aprenda a não me deixar levar pelos outros e não comprar os livros todos sem ter primeiro experimentado. Ao menos já acabou e não tenho que me preocupar mais com esta série, podendo dedicar o tempo a coisas que mais me agradam.

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Opinião - Anything You Can Do

Ficha Técnica:
Autor: R.S. Grey
Páginas: 247
Editor: Amazon
ASIN: B01ND0PJ6B

Sinopse:
Lucas Thatcher has always been my enemy.

It’s been a decade since I’ve seen him, but our years on opposite coasts were less of a lasting peace and more of a temporary cease-fire. Now that we’re both back in our small town, I know Lucas expects the same old war, but I’ve changed since high school—and from the looks of it, so has he.

The arrogant boy who was my teenage rival is now a chiseled doctor armed with intimidating good looks. He is Lucas Thatcher 2.0, the new and improved version I’ll be competing with in the workplace instead of the schoolyard.

I’m not worried; I’m a doctor now too, board-certified and sexy in a white coat. It almost feels like winning will be too easy—until Lucas unveils a tactic neither of us has ever used before: sexual warfare.

The day he pushes me up against the wall and presses his lips to mine, I can’t help but wonder if he’s filling me with passion or poison. Every fleeting touch is perfect torture. With every stolen kiss, my walls crumble a little more. After all this time, Lucas knows exactly how to strip me of my defenses, but I’m in no hurry to surrender.

Knowing thy enemy has never felt so good.

Opinião:
Este livro é rir praticamente desde o início ao fim. A Daisy detesta o Lucas com uma força inimaginável, e então quando descobre que vai ter que partilhar o seu espaço e o seu trabalho com ele decide continuar com a antiga guerra existente entre eles e fazer-lhe a vida num inferno enquanto tenta ao mesmo tempo impedir que ele lhe faça a vida num inferno a ela.

Efectivamente desde o início do livro que Daisy está constantemente a maquinar para que Lucas seja despedido, contudo na maior parte das vezes as coisas não correm assim tão bem como esperado. Lucas está constantemente a arruinar os seus planos, nem que seja simplesmente por ser homem e por sinal um homem bastante bonito e sexy. E é quando a Daisy finalmente repara nisso que as coisas começam a mudar.

Ao início não pensei que as coisas pudessem não ser propriamente como aquilo que pensava. Só quando começamos a ter pequenos vislumbres dos pensamentos de Lucas é que começamos a perceber que esta guerra se calhar não é propriamente uma guerra como a Daisy pensa. Mas é quando começamos a conhecer um pouco do passado de Lucas e vê-mos alguns momentos da sua infância que começamos a perceber a estranha relação que os dois têm.

O que mais gostei no livro foi sem dúvida da Daisy, dos seus planos malucos, das suas trapalhadas e da maneira como ela tenta lidar com os sentimentos que são despertados, sentimentos bastante contrários a todos aqueles que ela alguma vez conheceu. O Lucas é interessante, mas fica um pouco aquém da Daisy, talvez porque não temos direito ao seu ponto de vista.

A única coisa que me deixou algo de pé atrás foi o facto de que nunca tinha percebido que efectivamente os sentimentos do Lucas pudessem não ser tão simples. Toda a gente está à espera que duas pessoas que se detestem acabem juntas, mas normalmente isso é algo que acontece durante o decorrer da história. Aqui não é bem isso que acontece, só que não gostei do facto de terem tido que mo escarrapachar na cara para eu perceber, fez-me sentir ou muito burra, ou que a autora é muito boa a dissimular, ou que na realidade o protagonista nunca mostrou nenhuma renitência nas suas atitudes até que a autora se lembrou de mudar o rumo à história.

De qualquer modo foi uma leitura agradável e divertida. Uma história para rir e passar bons momentos.

domingo, 16 de julho de 2017

Opinião - Guerreiro dos Sonhos

Ficha Técnica:
Autor: Sherrilyn Kenyon
Título Original: Dream Warrior
Série: Dark-Hunter, #17
Páginas: 288
Editor: Saída de Emergência
ISBN: 9789897101823
Tradutor: Rita Carvalho e Guerra

Sinopse:
Filho de deuses violentos, Cratus passa os tempos da sua eternidade a lutar em nome dos deuses antigos que o trouxeram à vida. Ele é a morte personificada a quem quer que se atravesse no seu caminho. Até ao dia em que baixou os braços e simplesmente não lutou mais, impondo um auto exílio. É então que um antigo inimigo liberta as suas forças e usa os sonhos humanos como campo de batalha. A única esperança da humanidade reside precisamente naquele que se recusa continuar a lutar: Cratus.
Sendo uma Caçadora de Sonhos, Delphine passou a eternidade a combater os predadores que se alimentam do nosso estado inconsciente. Mas os seus aliados voltam-lhe as costas e ela sabe que, para sobreviver, os Caçadores de Sonhos precisam de um novo líder: alguém que os oriente e ensine a lutar contra os novos inimigos. Cratus é a sua única esperança. No entanto, é Delphine a amarga recordação que fez Cratus baixar os braços...

Opinião:
Bem, considero que neste momento não haja muito mais a acrescentar acerca dos livros desta autora. A qualidade mantém-se relativamente constante ao longo de toda a série, e convenhamos, já lá vão uns quantos livros.

Ao mesmo tempo sinto que o foco deste livro se alterou um pouco. Claro que continuamos a ter o casal principal e afins, mas a história já não é tão focada o combate entre os Dark-Hunters e os Daimons. Existem cada vez mais seres poderosos que pretendem conquistar o mundo e às tantas parece que toda a gente quer um pedaço de toda a gente.

Houve bastantes reviravoltas neste livro. Parece-me que ainda mais coisas vão mudar tendo em conta o ponto em que as coisas estão. Ao mesmo tempo senti que ficava a conhecer um pouco mais do porquê da existência do Nick e qual é o seu papel bem como o papel de vários personagens que estão directamente relacionados com ela através das suas funções neste universo.

A única coisa que me incomodou foi o facto de sentir que me faltava ali muita história por contar. Não me lembro de alguma vez ter lido algo sobre o Acherou e o Nick estarem a tentar entender-se, mas parece que isso está a acontecer no decorrer desta história. E os antagonistas principais também fiquei com a sensação que era suposto lembrar-me deles, mas não lembro. Por isso ou aparecem na série do Nick ou então já apareceram antes e eu não me lembro porque já foi à tanto tempo. Penso que começa a ser uma boa altura para ler as Chronicles of Nick. Provavelmente assim vou conseguir relembrar alguns aspectos dos quais não me recordo.

Assim sendo fiquei satisfeita com o livro. Acho que se pode considerar um ponto de viragem pois vão aparecer personagens novos e vão ser adquiridos novos conhecimentos que vão trazer coisinhas novas para esta história. Agora é esperar para ver.

segunda-feira, 10 de julho de 2017

Opinião - HIstória do Ladrão do Corpo

Ficha Técnica:
Autor: Anne Rice
Título Original: The Tale of the Body Thief
Série: The Vampire Chronicles, #4
Páginas: 416
Editor: Europa-América
ISBN: 9789721038127
Tradutor: Teresa de Sousa Gomes

Sinopse:
Lestat, vampiro, herói, sedutor consumado, cansado da busca que já dura há dois séculos para penetrar nos meandros da sua obscura existência, está desesperado por ser ver livre do pesadelo da sua imortalidade. Ansiando por renascer homem, por pensar, sentir e respirar como um mortal, Lestat empreende uma incursão apaixonada pela vida.

A forma como Lestat se torna novamente mortal e como descobre aquilo que já tinha esquecido - a angústia do ser humano, a fragilidade, a odisseia da existência humana - é contada com toda a paixão, colorido e imaginação que distingue os extraordinários romances de Anne Rice.

Opinião:
Pode-se dizer que este livro foi um autentico desafio, não porque o tenha achado pior ou mais massador do que os anteriores, mas simplesmente porque ando novamente a passar por uma fase em que a preguiça é grande, e é com extrema dificuldade que começo a ler um livro.

Continuamos então a acompanhar Lestat e as peripécias que este vive. Mais uma vez a impetuosidade deste vai metê-lo em sarilhos e só muito a custa as coisas se vão resolver e mesmo assim vão existir algumas consequências e acontecimentos que vão alterar o decurso da história.

Mais uma vez o que cativa não é propriamente a história do personagem, mas as reflexões que este vai fazendo ao longo da narrativa. Desta vez Lestat foca-se mais na questão do que é estar "realmente vivo" e das ilusões com que vivemos e que são estilhaçadas de um momento para o outro. É fácil recordar o passado com encanto e acreditar que aquilo que não temos é o que queremos, quando não queremos olhar para nós mesmos e acreditar que podemos ser pessoas que na realidade gostam de poder e controlo e outros que mais.

Como disse acima houve ainda alguns acontecimentos que fazem o leitor questionar-se sobre o que virá a seguir. Confesso que gostava de rever alguns personagens de histórias anteriores, saber o que é feito deles, como é que evoluíram na sua maneira de estar. Espero sinceramente que me seja dada a possibilidade de responder às minhas questões dentro em breve.

sábado, 8 de julho de 2017

Opinião - Slightly Dangerous

Ficha Técnica:
Autor: Mary Balogh
Série: Bedwyn Saga, #6
Páginas: 400
Editor: Delacorte Press
ASIN: B000FC1PBG

Sinopse:
All of London is abuzz over the imminent arrival of Wulfric Bedwyn, the reclusive, cold-as-ice Duke of Bewcastle, at the most glittering social event of the season. Some whisper of a tragic love affair. Others say he is so aloof and passionless that not even the greatest beauty could capture his attention.

But on this dazzling afternoon, one woman did catch the duke’s eye—and she was the only female in the room who wasn’t even trying. Christine Derrick is intrigued by the handsome duke…all the more so when he invites her to become his mistress.

What red-blooded woman wouldn’t enjoy a tumble in the bedsheets with a consummate lover—with no strings and no questions asked. An infuriating lady with very definite views on men, morals, and marriage, Christine confounds Wulfric at every turn. Yet even as the lone wolf of the Bedwyn clan vows to seduce her any way he can, something strange and wonderful is happening. Now for a man who thought he’d never lose his heart, nothing less than love will do.

With her trademark wit, riveting storytelling, and sizzling sexual sparks, Mary Balogh once again brings together two polar opposites: an irresistible, high-and-mighty aristocrat and the impulsive, pleasure-loving woman who shows him what true passion is all about. A man and a woman so wrong for each other, it can result only in the perfect match.

Opinião:
O Wulf sempre foi dos personagens que mais curiosidade provocou nos leitores devido ao seu comportamento frio. Como é que é possível que sendo todos os Bedwyn pessoas cheias de vida e energia e sempre dispostas a tropelias, o Wulf fosse o único que nunca se deixava controlar pelas emoções? Qualquer pessoa se perguntaria o que lhe teria acontecido para se tornar numa pessoa assim. E finalmente no último livro ficamos a saber a sua história.

Apesar de a história de Wulf não ser propriamente difícil de adivinhar, e a verdade é que tinha as minhas suspeitas, foi gratificante finalmente ficar a saber exactamente o que é que aconteceu que o levou a tornar-se numa pessoa fechada. Não foi propriamente um acontecimento deveras trágico e marcante, foi simplesmente a vida e aquilo que a vida espera de nós. Foi sem dúvida gratificante ver como aos poucos e poucos os modos desajeitados e o prazer que Christine tira da vida o ajudam a reencontrar um pouco do menino que foi. Wulf nunca irá deixar de ser o Duque de Bewcastle, mas aprende a partilhar os momentos em que pode ser simplesmente Wulf, sem as obrigações do título.

Christine é também uma personagem interessante, é o completo oposto de Wulf, e apesar de ser algo trapalhona, gosta de viver a vida ao máximo, sem impedimentos. Sabe aquilo que quer para si e aquilo que merece e não se contenta com menos que isso. É realmente uma lufada de ar fresco. Sem dúvida que ela é muito mais parecida a qualquer um dos Bedwyn do que o seu próprio irmão. É hilariante ver as alhadas em que ela se mete só porque não pensa propriamente nas consequências apenas no momento. Mas é essa "inocência" que acaba por conquistar o Wulf e derrubar as suas barreiras.

Quanto aos personagens secundários, adorei a irmã de Christine. Sem dúvida que a história dela deverá ser fascinante. Parece-me ser uma pessoa bastante inteligente e com um humor muito próprio. As restantes são um bom complemento à história, mas não sobressaíram propriamente.

Houve ali uma ou outra altura em que a autora me conseguiu trocar as voltas. Achei por uma ou duas vezes que agora é que era e que os dois se iam chatear, mas a autora lidou com as situações de uma maneira bastante capaz, afinal dos personagens são adultos. O grande entrave à relação de ambos vem um pouco mais tarde, e o leitor só se aperceber dele pouco tempo antes de os personagens também o perceberem. Foi um pouco um choque e fiquei triste pela Chrisine e pela sua família, nenhum deles merecia que lhes fosse arrancado o coração do peito daquele modo.

Achei que foi um bom final para a história desta família, e fiquei curiosa para ler acerca da Eleanor, a irmã da Christine e eventualmente acerca das quatro professoras que trabalham na sua escola.

quarta-feira, 28 de junho de 2017

Opinião - Mary Poppins

Ficha Técnica:
Autor: P. L. Travers
Título Original: Mary Poppins
Série: Mary Poppins, #1
Páginas: 208
Editor: Relógio d'Água
ISBN: 9789896414191
Tradutor: ?

Sinopse:
Jane e Michael não gostavam da sua antiga ama. Também não tinham a certeza de ir gostar da nova: Mary Poppins. Rapidamente mudaram de ideias quando a viram deslizar pelo corrimão acima - e retirar de seguida várias coisas empolgantes de um saco de alcatifa vazio. Agora a única preocupação deles é que ela não parta, pois Mary Poppins apenas prometeu ficar «até que os ventos mudem

Opinião:
O ano passado enquanto via os livros do dia da FdL deparei-me com este e decidi que tinha que o comprar. A Mary Poppins fez parte da minha infância e sempre achei o filme fantástico, logo fiquei com curiosidade em conhecer a história do livro. A verdade é que fiquei um pouco desapontada.

Lembro-me da Mary Poppins como alguém rígido, mas ao mesmo tempo acessível e divertida. Contudo a Mary Poppins do livro não me lembra em nada a personagem de que me recordava. Esta Mary Poppins pareceu-me bastante rígida e desapegada, bem como bastante preocupada apenas consigo mesma e com o seu aspecto. Apesar das aventuras extraordinárias que as crianças vivem na sua companhia não me pareceu que ela gostasse realmente delas e que tivesse o intuito de as ajudar. Ao mesmo tempo não me parece que as crianças fossem tão traquinas como aquilo que me lembrava.

Eventualmente esta minha percepção pode estar a ser influenciada pelo facto de o filme se basear em mais do que o primeiro livro. Assim sendo conto ler os restantes para pelo menos perceber se a visão que tenho se encontra realmente deturpada.

Tirando esta desilusão a história não deixa de ter os seus méritos. As personagens apresentadas são sem dúvida únicas e as aventuras vividas pelas crianças são tudo aquilo que desejávamos que nos tivesse acontecido enquanto crianças.

domingo, 18 de junho de 2017

Opinião - Things We Know by Heart

Ficha Técnica:
Autor: Jessi Kirby
Páginas: 304
Editor: HarperTeen
ASIN: 0062299433

Sinopse:
When Quinn Sullivan meets the recipient of her boyfriend’s donated heart, the two form an unexpected connection.

After Quinn loses her boyfriend, Trent, in an accident their junior year, she reaches out to the recipients of his donated organs in hopes of picking up the pieces of her now-unrecognizable life. She hears back from some of them, but the person who received Trent’s heart has remained silent. The essence of a person, she has always believed, is in the heart. If she finds Trent’s, then maybe she can have peace once and for all.

Risking everything in order to finally lay her memories to rest, Quinn goes outside the system to track down nineteen-year-old Colton Thomas—a guy whose life has been forever changed by this priceless gift. But what starts as an accidental run-in quickly develops into more, sparking an undeniable attraction. She doesn't want to give in to it—especially since he has no idea how they're connected—but their time together has made Quinn feel alive again. No matter how hard she’s falling for Colton, each beat of his heart reminds her of all she’s lost…and all that remains at stake.

Opinião:
Se este livro poderia ser um completo clichê? Sim podia. O que o salva é a maneira como a autora conta a história. Este livro conta-nos a história de Quinn, alguém que perdeu o namorado devido a um acidente e cujos órgãos foram doados. Quinn acaba por conhecer praticamente todos os receptores de órgãos, excepto a pessoa que recebeu o coração do seu namorado. E é quando ela finalmente decide conhecê-lo que a história começa.

Basicamente Quinn acha que vendo esta pessoa será capaz de ultrapassar o passado e começar a viver novamente. Contudo as coisas nunca correm exactamente como esperamos, e o que era suposto ser uma visita sem interacções acaba por se tornar em algo mais.

Se por um lado é óbvio o final da história e isso poderia retirar todo o prazer da leitura, a verdade é que a autora faz um bom trabalho até chegarmos a esse final óbvio. O mais cativante e intrigante do livro é o crescimento e desenvolvimento da Quinn. Como reaprende a viver aos poucos, como lida com a dor da perda e com os momentos em que de repente lhe parece cair tudo em cima. Como lida com a culpa de estar a seguir com a sua vida em frente quando acha que deveria ainda estar a fazer o luto pelo seu namorado.

Claro que o Colton também é interessante. A sua maneira de viver cada dia como se fosse o último, a satisfação que tira de estar vivo e as pequenas pérolas de sabedoria que vai largando durante a narrativa e que foram adquiridas devido a tudo aquilo porque passou tornam-no numa personagem de que é difícil não gostar e acarinhar.

A família da Quinn tem também um papel importante na narrativa, e adorei conhecer, principalmente, a sua irmã e a sua avó. Não haja dúvida que são duas personagens cheias de vida e de força, que carregam em si alguma tristeza, mas que não deixam que a mesma as pare. São pessoas que preferem enfrentar os problemas de cabeça do que deixar-se domar por eles.

A única coisa que me desagradou um pouco no livro é o facto de nunca ter sido colocado em questão o facto de ela se estar a apaixonar pelo rapaz que tem o coração de namorado. Será que ela se apaixona realmente por ele ou que se apaixona pela ideia de ele ter o coração do namorado? Esta questão não é colocada uma única vez durante todo o livro, nem por ela, nem por ele. E a verdade é que no final fiquei com essa dúvida. Não sei se a autora não a abordou com receio que pudesse dar trapalhada ou porque na cabeça dela não havia dúvidas sobre os sentimentos da Quinn. A verdade é que na minha cabeça fiquei um pouco na dúvida e gostava que esta tivesse sido esclarecida através de algum momento de reflexão ou algo semelhante.

Em suma, foi uma leitura agradável. Tenciono ler algo mais da autora.


segunda-feira, 12 de junho de 2017

Opinião - A Rainha dos Malditos Vol I e II

Ficha Técnica:
Autor: Anne Rice
Título Original: The Queen of the Damned
Série: The Vampire Chronicles #3
Páginas: 272 e 260
Editor: Europa-América
ISBN: 9721041653 e 9721041688
Tradutor: Clarisse Tavares

Sinopse:
A Rainha dos Malditos Vol I:
A continuação de Entrevista com o Vampiro e O Vampiro Lestat.

A viagem de Lestat até uma caverna numa ilha grega desperta Akasha, rainha dos malditos e mãe de todos os vampiros, do seu sono de seis mil anos. Desperta e sedenta de sangue, Akasha traça o seu maléfico plano para dominar o mundo dos vivos.
Num concerto em São Francisco, Lestat ignora que entre os fãs há centenas de vampiros dispostos a destruí-lo por ter revelado a condição dos seus semelhantes.
Um misterioso sonho é partilhado por um grupo de homens e vampiros. Quando todos se aproximam, o sonho torna-se mais claro e tudo aponta para uma tragédia indescritível.

Anne Rice é a autora consagrada de vários best-sellers na área da literatura de fantasia e gótica. Entre êxitos como A Rainha dos Malditos e A Hora das Bruxas, alcançou a notoriedade com Entrevista com o Vampiro, um clássico que redefiniu a literatura de vampiros e foi adaptado ao cinema por Neil Jordan.


A Rainha dos Malditos Vol II:
O segundo volume d’ A Rainha dos Malditos, a continuação de Entrevista com o Vampiro e d’ O Vampiro Lestat.

Após ter despertado Akasha, a mãe de todos os vampiros, do seu sono de seis mil anos, Lestat ignora que corre perigo e que, num concerto em São Francisco, há entre os fãs centenas de vampiros dispostos a destruí-lo por ele ter revelado a condição dos seus semelhantes. Um misterioso sonho é partilhado por um grupo de homens e vampiros. Quando todos se aproximam, o sonho torna-se mais claro e tudo aponta para uma tragédia indescritível.

Opinião:
Quando li Entrevista com o Vampiro, não fiquei fã da autora ou da sua escrita. Entretanto decidi ler O Vampiro Lestat e senti que afinal a autora tinha criado personagens extremamente complexas, com uma maneira de ver o mundo de uma forma bastante peculiar. Personagens que tinham passado por bastante tendo em conta o tempo de vida que têm e que por isso as suas histórias eram fascinantes. A Rainha dos Malditos não é diferente. Ao longo destes livros ficamos a conhecer mais da história de Akasha e do modo como se tornou o primeiro vampiro. Já tínhamos uma ideia do que tinha acontecido, mas apenas uma ideia geral.

Neste livro ficamos a conhecer exactamente os acontecimentos que levaram a esta transformação, e esses acontecimentos são-nos transmitidos através do aparecimento de dois novos personagens, Maharet e Khayman. O primeiro volume conta essencialmente os dias que antecedem o concerto de Lestat através da perspectiva de vários personagens diferentes. A segunda parte conta o que acontece depois de Akasha se apoderar de Lestat. Sem dúvida que a parte mais interessante é a segunda, mas a primeira faz um bom trabalho em criar suspense no leitor enquanto este tenta perceber o que está a acontecer e quais são os objectivos de Akasha.

Sem dúvida que foi bastante interessante perceber a origem dos vampiros e como é que tudo aconteceu, mas o mais interessante continua a ser os dilemas dos personagens. As suas dúvidas e receios, a sua necessidade de manter uma parte de si mesmos humanos. As lutas interiores constantes sobre aquilo que são e aquilo que querem para eles próprios. Sem dúvida que os personagens mais cativantes a nível intelectual e emocional são Lestat e a própria Akasha. Akasha pela maneira como se comporta, pela sua necessidade em arranjar justificações para os seus actos corrosivos. Pela sua necessidade em ser adorada e achar que pode controlar tudo e todos e que este é o seu dever, arranjando justificações a torto e a direito só para que sinta que aquilo que está a fazer é correcto. É triste e doentio ver como uma pessoa com tanto poder e que poderia fazer o bem se deixa levar pela sua necessidade de sangue e violência.

Já Lestat encontra-se durante todo o livro num grande dilema. Por um lado conseguiu aquilo que porque sonhava, acordar Akasha e ter uma relação com esta. Tudo isso traz-lhe imensa felicidade e fá-lo sentir-se em êxtase. Contudo os objectivos de Akasha começam a destruí-lo por dentro, começam a arruinar o vampiro que é, levando a que se comece a perder nas suas convicções. Como é possível gostar tanto de alguém, não a querer abandonar, ter uma necessidade premente de estar com ela e ao mesmo tempo ver o mal que ela é, sentir que está a abandonar tudo aquilo que é e não conseguir fazer nada para o impedir? Adorei ler as lutas interiores de Lestat. 

Contudo todos os outros personagens também têm muito para dar. Todos eles são bastante complexos, e adoro as suas complexidades. Se há algo que adoro ver é a maneira como se amam uns ou outros independentemente do sexo, tendo em conta apenas aquilo que são interiormente. E o final. O final foi fascinante pela sua brutalidade e pela maneira como as coisas se resolvem. Estou curiosa para pegar no próximo livro. Tentar perceber as consequências que os acontecimentos deste livro têm no futuro dos personagens, e tentar perceber quais os sarilhos em que Lestat se vai meter da próxima vez.

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Opinião - Under The Lights

Ficha Técnica:
Autor: Abbi Glines
Série: The Field Party, #2
Páginas: 320
Editor: Simon & Schuster
ASIN: B013PJVKCO

Sinopse:
In the follow-up to Abbi Glines’s #1 New York Times bestseller Until Friday Night—three teens from a small southern town are stuck in a dramatic love triangle.

Willa can’t erase the bad decisions of her past that led her down the path she’s on now. But she can fight for forgiveness from her family. And she can protect herself by refusing to let anyone else get close to her.

High school quarterback and town golden boy Brady used to be the best of friends with Willa—she even had a crush on him when they were kids. But that’s all changed now: her life choices have made her a different person from the girl he used to know.

Gunner used to be friends with Willa and Brady, too. He too is larger than life and a high school football star—not to mention that his family basically owns the town of Lawton. He loves his life, and doesn’t care about anyone except himself. But Willa is the exception—and he understands the girl she’s become in a way no one else can.

As secrets come to light and hearts are broken, these former childhood friends must face the truth about growing up and falling in love…even if it means losing each other forever.

Opinião:
Estava um pouco reticente em ler este livro porque desde o início dá perfeitamente para perceber que vai ter um triângulo amoroso e eu não sou nada fã de triângulos amorosos. Na maior parte das vezes estes dão-me vontade de bater em alguém. Contudo até considero que desta vez não foi muito mau. A verdade é que a maior parte dos personagens passa metade do tempo a debater-se com os seus sentimentos, e se é certo ou errado. A protagonista não passa o tempo a pensar qual dos dois há-de escolher e a pensar como é possível gostar de duas pessoas ao mesmo tempo. O que me ajudou a não ter vontade de atirar com o kindle à parede.

Se bem que gostei mais do primeiro livro da série que do segundo, não posso deixar de admitir que também gostei deste segundo e que é uma boa leitura para passar o tempo e espairecer. A protagonista é completamente nova, pelo menos não me lembro de menções a ela no livro anterior, e os dois protagonistas masculinos já conhecemos. Um deles é o primo da Maggie, Brady, e o outro é o Gunner, um dos colegas de Brady e o seu melhor amigo.

É fácil de prever que vai existir ali alguma tensão entre o Gunner e o Brady, melhores amigos que gostam da mesma rapariga nunca funciona bem, mas também não é propriamente uma tragédia e não há grandes cenas daquelas que dão vontade de ficar agoniada. A Willa é uma personagem interessante, que ao fim de alguns anos voltou para viver com a sua avó após ter passado meses num centro de correcção devido a um erro que cometeu. Erro esse pelo qual ainda hoje se culpa. Tudo isto mudou Willa, e enquanto um dos personagens tenta recuperar a Willa que existia, o outro aceita a Willa actual e tentar ajudá-la a ultrapassar os seus problemas. E atenção que tentar recuperar a antiga Willa não é algo mau, visto que para tentar recuperar uma parte de nós é preciso ultrapassar o que nos faz mal. Mas é a maneira ou a intenção que damos à coisa que pode ser certa ou a errada.

Além de que, como diz o Brady a certa altura, como é que é possível ajudar-mos e perceber alguém se nunca tivemos nenhum problema, se não nunca conhecemos tristeza extrema. Não é fácil perceber ou colocarmo-nos no lugar de alguém. Apesar de dizer-mos que compreendemos e de querer ajudar, a verdade é que na realidade não compreendemos porque não passamos pela mesma coisa nem por algo semelhante.

Quanto ao Gunner, a usa história também é triste, não a achei tão life changing como a da Willa, mas não deixa de criar cicatrizes a maneira como sempre foi tratado pelas pessoas que o deviam amar. A maior parte dos momentos mais emocionais são em seguimento ao Gunner e à sua interacção com a sua família. Conforme a história se vai desenrolando, novas informações vão sendo reveladas, que nos mostram o porquê de o Gunner sempre ter sido tratado de determinada maneira. Se bem que acho que a autora foi um pouco mais à frente do que devia, rasando o exagero relativamente à complexidade e reviravoltas da história do Gunner. Mas pronto, consigo ultrapassar isso.

Assim sendo, a Willa tem tendência para se afastar de toda a gente porque não quer ser responsável por magoar mais ninguém ou a si mesma. O Gunner é um bocadinho parvalhão pois não tem outra maneira de lidar com aquilo que passa em casa, tornando-se um imbecil excepto quando está com a Willa, e o Brady luta consigo mesmo, pelas escolhas que fez e que não fez mas devia ter feito.

Um livro que é aquilo que se espera dele. Personagens minimamente interessantes, com uma história de fácil leitura e que entretem sem fazer o leitor pensar por aí além. Contudo este livro em específico deixou-me curiosa e entusiasmada para o próximo visto que vai ser com uma das personagens secundárias femininas que ficámos a conhecer neste livro e que parece ter um passado bem sórdido, além de ser odiada por quase toda a gente, incluindo os personagens que já conhecemos.

domingo, 28 de maio de 2017

Opinião - Kingdom of Shadows

Ficha Técnica:
Autor: Barbara Erskine
Páginas: 772
Editor: Warner Books
ISBN: 0747401306

Sinopse:
In a childless and unhappy marriage, Clare Royland is rich and beautiful - but lonely. And fueling her feelings of isolation is a strange, growing fascination with an ancestress from the distant past. Troubled by haunting inexplicable dreams that terrify - but also powerfully compel - her, Clare is forced to look back through the centuries for answers.

In 1306, Scotland is at war. Isobel, Countess of Buchan, faces fear and the prospect of untimely death as the fighting surrounds her. But passionate and headstrong, her trials escalate when she is persecuted for her part in crowning Robert the Bruce, her lover.

Duncairn, Isobel's home and Clare's beloved heritage, becomes a battleground for passions that span the centuries. As husband Paul's recklessness threatens their security, Clare must fight to save Duncairn, and to save herself from the powers of Isobel...

Opinião:
Os livros desta autora acabam por ser bastante semelhantes na sua concepção. Essencialmente o que muda é a história a contar, mas a maneira como essa história é contada acaba por ser praticamente a mesma. Neste caso a personagem principal é como que assombrada por uma sua antepassada.

A personagem principal é Clare, uma rapariga que desde cedo percebermos guardar em si uma solidão extrema, solidão essa que a mesma contraria invocando imagens da sua antepassada Isobel. O problema começa a aparecer quando Clare começa a deixar de ter controlo sobre as suas invocações, conseguidas através da meditação, e estas se começam a dar sem que a mesma as tenhas chamado. Ao longo da narrativa vamos então acompanhando a vida de Clare, e a sua tentativa em encontrar um significado para a sua vida bem como para as visões que tem. Ao mesmo tempo vamos ficando a conhecer as tribulações de Isobel. Ambas são dignas de respeito e compaixão, pois na realidade nenhuma delas trilha um caminho fácil de percorrer.

No caso de Clare este caminho mostra-se bastante conturbado essencialmente por causa do seu marido, Paul. Paul é uma pessoa bastante controladora e que não vê a meios para atingir os seus objectivos. Desde o início que faz de tudo para controlar a herança de Clare, levando os outros a acreditar que Clare está completamente louca quando na realidade é ele que cada vez mais se começa a desligar da realidade. Foi assustador ver como a mente de Paul se foi degradando ao longo da narrativa e as artimanhas que este usava para controlar todas as pessoas à sua volta.

Existem outros personagens que vão aparecendo, principalmente os parentes de Paul, mas não os acho propriamente dignos de relevância. Na maior parte das vezes mostram ser tão implacáveis como o seu irmão ou limitam-se a ver a realidade apenas como lhes convém em vez de tentar perceber e ajudar realmente Clare.

Apesar de o livro ser bastante semelhante a outros que já li da autora, a realidade é que até gostei bastante da história e de como esta foi contada. Essencialmente por causa do percurso de Clare. Confesso que às vezes senti que a autora procrastinava um pouco o que não me permitiu gostar tanto do livro como poderia. Contudo foi uma leitura agradável e bastante rápida tendo em conta a dimensão do livro.

domingo, 21 de maio de 2017

Opinião - Until Friday Night

Ficha Técnica:
Autor: Abbi Glines
Série: The Field Party, #1
Páginas: 336
Editor: Simon Pulse
ASIN: B00TBKUXQQ

Sinopse:
To everyone who knows him, West Ashby has always been that guy: the cocky, popular, way-too-handsome-for-his-own-good football god who led Lawton High to the state championships. But while West may be Big Man on Campus on the outside, on the inside he’s battling the grief that comes with watching his father slowly die of cancer.

Two years ago, Maggie Carleton’s life fell apart when her father murdered her mother. And after she told the police what happened, she stopped speaking and hasn’t spoken since. Even the move to Lawton, Alabama, couldn’t draw Maggie back out. So she stayed quiet, keeping her sorrow and her fractured heart hidden away.

As West’s pain becomes too much to handle, he knows he needs to talk to someone about his father—so in the dark shadows of a post-game party, he opens up to the one girl who he knows won’t tell anyone else.

West expected that talking about his dad would bring some relief, or at least a flood of emotions he couldn’t control. But he never expected the quiet new girl to reply, to reveal a pain even deeper than his own—or for them to form a connection so strong that he couldn’t ever let her go…

Opinião:
Já não me lembro bem porquê, mas há algum tempo atrás inscrevi-me numa comunidade chamada Riveted. Nesta comunidade temos semanalmente alguns livros disponíveis para ler na integra, além de passatempos, e outros que mais. Mas atenção, os livros sobre os quais esta comunidade assenta são essencialmente YA. Há uns tempos andava eu a dar uma vista de olhos e deparei-me com este livro. Que achei interessante devido à peculiaridade da personagem principal feminina.

A autora eu já conhecia, pelo menos de ouvir falar, visto que já teve um seu livro editado em Portugal. Contudo nunca me tinha chamado propriamente a atenção até ter lido a sinopse de Until Friday Night.

Maggie passou por algo extremamente traumatizante à relativamente pouco tempo. Porque quando algo nos toca profundamente 2 anos é muito pouco tempo. Aquando do início da história ela acabou de se mudar para Lawton, para casa dos seu tios e do seu primo de modo a tentar recuperar e sarar. Contudo Maggie é uma pessoa peculiar. Desde o momento em que contou à polícia o crime a que assistiu nunca mais falou com ninguém. Esta foi a maneira que arranjou de se proteger e sarar. Contudo, isso acaba por mudar quando conhece West. Este está a passar por um momento particularmente difícil e angustiante na sua vida. E Maggie vê nele a mesma tristeza que vê nos seus olhos e sente uma grande necessidade de ajudá-lo. Assim sendo começa a falar aos poucos com ele, revelando-lhe os seus segredos, ao mesmo tempo que West começa a revelar que tipo de pessoa realmente é.

De uma maneira geral gostei bastante do livro. Gostei da maneira como a autora nos apresenta os personagens e a maneira como vivem a sua vida. Gostei do caminho que a autora trilhou para eles e de como eles seguiram esse caminho, com mais ou menos tropeções, mas sempre a tentar melhorar. As suas dúvidas e receios também são fáceis de compreender. Afinal West é a única pessoa com quem Maggie fala, logo West tem medo que Maggie deixe de precisar dele quando começar a falar com outras pessoas e Maggie tem receio que West deixe de a achar interessante quando ela deixar de ser peculiar. É um bocado totó, mas ao mesmo tempo não é difícil de imaginar que este tipo de dúvidas pudessem surgir. O romance dos dois personagens vai-se desenvolvendo aos poucos, não é imediato nem apressado e agradeço à autora por isso.

Não posso deixar de referir os amigos e a família de Maggie e West. Maggie é completamente adorada pelos seus tios, e só no final é que ela realmente percebe o quão é amada quando percebe que os tios realmente a aceitam como é. Já com o seu primo a relação inicial não é muito famosa, mas afinal de contas a Maggie veio roubar o espaço que era dele, e ainda por cima ele era constantemente obrigado a tomar conta dela. Acredito que essa não seja de todo a melhor maneira de se começar uma amizade. Mas a verdade é que ele gosta realmente dela, e preocupa-se realmente com ela. E é adorável ver os momentos mais emotivos.

Quanto à família de West, é fácil perceber o amor que os une, e o quanto a fase porque estão a passar os está a destruir. É fácil perceber que as coisas nunca mais serão as mesmas e isso dói. Contudo os amigos de West estão lá para ele, constantemente a apoiá-lo e a ajudá-lo a seguir em frente. Sem dúvida que todos eles são um grupo bastante unido.

A única coisa que eventualmente me deixou um pouco desiludida, foi o modo como a autora pintou o quadro sobre o facto de a Maggie ser de certo modo muda. Consigo aceitar as suas explicações, mas acho que poderiam ter sido explicações mais emotivas, mais sentidas, que fizessem o leitor viver mais o seu estado de espírito e os seus receios. Achei que sempre que ela falava e abordava o porquê de ter decidido não falar e ter tanto medo de o fazer o fazia de forma algo desapegada.

De qualquer modo estou curiosa para ler o próximo livro e saber a história dos próximos personagens. Até porque existem alguns mistérios por revelar nos próximos livros.

domingo, 14 de maio de 2017

Opinião - Parque Jurássico

Ficha Técnica:
Autor: Michael Crichton
Título Original: Jurassic Park
Série: Jurassic Park, #1
Páginas: 430
Editor: Difiusão Cultural
ISBN: 972709094X
Tradutor: Fernanda Branco

Sinopse:
John Hammond, presidente da multinacional InGen, está prestes a ver concretizado o sonho da sua vida: inaugurar um sofisticado (e lucrativo) parque turístico onde foi reconstruído o ambiente natural de Terra de há milhões de anos e cujos animais são... dinossauros!
Confinados numa pequena ilha da Costa Rica, os espécimes produzidos pela mais revolucionária tecnologia da engenharia genética parecem estar sob absoluto controlo dos supercomputadores e dos cérebros geniais que os criaram.
No entanto, um pormenor foi esquecido. Desaparecidos da face do planeta, quando o homem ainda não o habitava, os dinossauros podem apresentar reacções inesperadas aos seres humanos.
Parque Jurássico não se limita a ser uma obra brilhante de aventura e ficção científica. Propõe, igualmente, uma reflexão cuidadosa sobre o uso que se pode fazer da ciência.

Opinião:
Este livro veio-me parar às mãos por puro acaso, nunca tinha pensado nele ou sequer em lê-lo, contudo quando o vir pensei "Porque não"? Fiquei curiosa em saber se a máxima de que o livro é sempre melhor que o filme também se aplicava neste caso. Contudo apesar de esta ser uma leitura agradável, a verdade é que gostei mais do filme que do livro.

Existem algumas diferenças evidentes entre ambos. Antes de mais achei que o livro tinha um teor muito mais filosófico que o filme. Existem vários personagens, principalmente o Ian, que passam grande parte do livro a questionar-se ou a dizer peremptoriamente que toda a ideia do parque é errada e que só pode dar em desgraça. Existe também alguma acção, mas nenhuma dela é propriamente aflitiva e assustadora. Enquanto que no filme há sempre aquela sensação de "o que é que vai acontecer agora", no livro essa sensação não é tão forte, o que me fez perder um pouco o interesse e tornar a leitura um pouco mais demorada.

Existem outras alterações, como a troca de idades de alguns personagens, e determinados acontecimentos aparecem no livro e não no filme e vice-versa. Se por um lado gostei da parte introdutória do livro, em que vemos determinadas desgraças a acontecer sem se ter a certeza do que é que se passa, a verdade é que também achei a introdução algo aborrecida devido à sua extensão.

No geral é um livro interessante, que vai buscar as ideias que se viviam na altura em que a história foi escrita e as transforma em algo mais. A ideia de um parque jurássico é e há-de ser sempre fascinante, a possibilidade de trazer-mos de volta seres com os quais sonhamos há-de ser sempre um ideal do Homem. Achei que poderia ser melhor trabalhado se houvesse um pouco mais de suspense na narrativa, contudo parece-me que essa vontade vem do facto de ter aprendido a ver esta história mais como uma história de acção do que uma história de reflexão e parece-me que o autor talvez estivesse mais apostado na segunda hipótese que a primeira.

Sou sincera, não sei se irei ler o segundo livro ou não. Por um lado tenho curiosidade para saber como as coisas acabam, por outro já li algumas opiniões que me deixaram de pé atrás. Eventualmente vai depender do tempo que tiver.

sexta-feira, 12 de maio de 2017

Opinião -Shifting Shadows

Ficha Técnica:
Autor: Patricia Brigds
Série: Mercy Thompson
Páginas: 464
Editor: Ace
ASIN: B00IOE4M9O

Sinopse:
A collection of all-new and previously published short stories featuring Mercy Thompson, “one of the best heroines in the urban fantasy genre today” (Fiction Vixen Book Reviews), and the characters she calls friends…

Includes the new stories…
“Silver”
“Roses in Winter”
“Redemption”
“Hollow”

…and reader favorites
“Fairy Gifts”
“Gray”
“Alpha and Omega” (Alpha & Omega 0.5)
“Seeing Eye” (Alpha & Omega 1.5)
“The Star of David” (Mercy Thompson 1.5)
“In Red, with Pearls” (Mercy Thompson 6.5)

Opinião:
Não me vou alongar muito com a opinião acerca deste livro de contos porque na realidade não tenho muito para dizer. Não quero com isto dizer que tenha achado o livro inferior, apenas acontece que parte dos contos já tinha lido noutras ocasiões, e os que li agora estão ao nível que Briggs já nos habituou.

É óbvio que adorei ficar a saber um pouco mais dos vários personagens. É impossível não ficar triste com a história do Sammuel e do Bran e de como tudo começou, ou o porquê de a Arianna e o Sammuel terem sido obrigados a separar-se durante tanto tempo. É impossível não sentirmos empatia pelo The Moor, e não apreciar tudo aquilo que ele faz por aqueles de quem gosta independentemente de isso o poder destruir, ver o seu lado mais sensível é algo de surpreendente. 

Houve pelo menos um conto que apesar de já ter lido anteriormente não o tinha conseguido compreender muito bem, mas que após a leitura dos livros mais recentes ficou sobre uma nova luz e tudo fez muito mais sentido. O que me ajudou a compreender muito melhor a relação entre determinados personagens. Outro conto que adorei foi o do Ben, aquele ser que está constantemente a dizer asneiras e resmungar é alguém digno de confiança e que se preocupa com os seus apesar do seu exterior mais rezingão e desapegado. Ficar a conhecê-lo um pouco melhor foi sem dúvida algo interessante.

Claro que os restantes contos também são bastante interessantes e cativantes e mostram-nos pequenos momentos que nos fazem compreender melhor os nossos personagens, tal como nos fazem sentir mais próximos deles. Sem sombra de dúvida um excelente complemento ao mundo criado por Patricia Briggs.

domingo, 7 de maio de 2017

Opinião - The Handmaid's Tale

Ficha Técnica:
Autor: Margaret Atwood
Páginas: 324
Editor: Houghton Mifflin Harcourt
ASIN: B003JFJHTS

Sinopse:
The Handmaid's Tale is not only a radical and brilliant departure for Margaret Atwood, it is a novel of such power that the reader will be unable to forget its images and its forecast. Set in the near future, it describes life in what was once the United States, now called the Republic of Gilead, a monotheocracy that has reacted to social unrest and a sharply declining birthrate by reverting to, and going beyond, the repressive intolerance of the original Puritans. The regime takes the Book of Genesis absolutely at its word, with bizarre consequences for the women and men of its population.

The story is told through the eyes of Offred, one of the unfortunate Handmaids under the new social order. In condensed but eloquent prose, by turns cool-eyed, tender, despairing, passionate, and wry, she reveals to us the dark corners behind the establishment's calm facade, as certain tendencies now in existence are carried to their logical conclusions. The Handmaid's Tale is funny, unexpected, horrifying, and altogether convincing. It is at once scathing satire, dire warning, and tour de force. It is Margaret Atwood at her best.

Opinião:
Esta opinião vem um pouco atrasada. Já li o livro na última semana de Abril, para o desafio do 2017 Monthly Keyword reading challenge, mas pelos mais diversos motivos ainda não tinha conseguido escrever a correspondente opinião.

O que posso dizer deste livro é que ele é completamente assustador. Ver como após tudo aquilo porque as mulheres lutaram estas voltam à estaca zero. É assustador ver como as mulheres são tratadas como nada mais que objectos e como máquinas de procriação é realmente assustador. Como são tratadas como se todo o mal do mundo fosse culpa delas, como se estas não tivessem vontade, sonhos ou pensamentos é algo que deixa qualquer pessoa assustada.

O pior no meio disto tudo é que não é difícil acreditar num mundo destes. Não é assim tão diferente de muitas das histórias que ouvimos em determinados países. Este livro parece quase uma premonição daquilo que pode vir a acontecer tendo em conta vários acontecimentos recentes. Uma vez mais a religião tem um papel importante e determinante no modo como determinadas práticas são aceites. Na maior parte das vezes o poder que rege esta sociedade vai buscar justificações para as suas acções numa interpretação literal da Bíblia, fazendo as mulheres sentir-se culpadas e subjugadas.

A temática do livro é bastante interessante, mas sozinha não funcionaria. Sendo a história contada na primeira pessoa, a voz da nossa protagonista é bastante melodiosa e cadenciada embalando o leitor através dos acontecimentos das sua vida e das suas memórias, das suas dúvidas e medos, dos seus sonhos e desejos. É impossível ficar indiferente ao sofrimento desta personagem que vive o presente e recorda um passado completamente diferente. E o final da história deixa um travo a amargo por não sabermos o que realmente vai acontecer com esta personagem que ao longo da narrativa nos fez sentir tanta empatia e tristeza.

Este é sem dúvida um livro a ler, um livro que nos tenta avisar para os perigos do futuro, da religião e da cegueira pela qual muitas vezes o Homem se deixa dominar. Um livro que toca quem quer que o leia e que nos deixa a pensar no que poderá trazer o futuro.


sexta-feira, 28 de abril de 2017

Opinião - By Your Side

Ficha Técnica:
Autor: Kasie West
Páginas: 352
Editor: HarperTeen
ASIN: B01G1G48OU


Sinopse:
In this irresistible story, Kasie West explores the timeless question of what to do when you fall for the person you least expect. Witty and romantic, this paperback original from a fan favorite is perfect for fans of Stephanie Perkins and Morgan Matson.

When Autumn Collins finds herself accidentally locked in the library for an entire weekend, she doesn’t think things could get any worse. But that’s before she realizes that Dax Miller is locked in with her. Autumn doesn’t know much about Dax except that he’s trouble. Between the rumors about the fight he was in (and that brief stint in juvie that followed it) and his reputation as a loner, he’s not exactly the ideal person to be stuck with. Still, she just keeps reminding herself that it is only a matter of time before Jeff, her almost-boyfriend, realizes he left her in the library and comes to rescue her.

Only he doesn’t come. No one does.

Instead it becomes clear that Autumn is going to have to spend the next couple of days living off vending-machine food and making conversation with a boy who clearly wants nothing to do with her. Except there is more to Dax than meets the eye. As he and Autumn first grudgingly, and then not so grudgingly, open up to each other, Autumn is struck by their surprising connection. But can their feelings for each other survive once the weekend is over and Autumn’s old life, and old love interest, threaten to pull her from Dax’s side?


Opinião:
Não sou propriamente uma fã inveterada da autora. É verdade que já li quase todos os livros dela que têm uma estrutura semelhante a este, mas na realidade só houve um que me deixou completamente fascinada. Apesar disso sei que é uma autora que tem uma escrita fácil de ler e os seus personagens não são completamente tontinhos, pelo que é sempre uma boca opção quando quero ler algo mais simples e que sirva para me entreter durante meia dúzia de horas.

Neste caso a nossa protagonista fica presa dentro da biblioteca acompanhada pelo maior enigma da escola e sem saber o que é que aconteceu aos seus amigos para que não a tenham ido procurar. Se bem que ao início a relação entre Dax e Autumn é um pouco tensa, afinal ela supostamente é uma menina rica e ele um delinquente sem simpatia e tacto nenhum, a verdade é que aos poucos Autumn vai conseguindo quebrar a carapaça de Dax, o que permite a ambos partilharem determinados momentos e segredos. Afinal é difícil não sentir uma certa intimidade para com outra pessoa quando nos encontramos isolados do resto do mundo.

Contudo aos poucos tanto Dax como Autumn começam a perceber que a ligação que sentem é mais profunda que aquilo que pensavam. Autumn tinha planos para o seu futuro amoroso, contudo aos poucos começa a perceber-se melhor a si mesma, e a perceber que às vezes gostar muito de uma pessoa não importa se essa pessoa não nos faz bem. Já Dax começa a perceber que às vezes sentir-se apegado é positivo e que ajuda a enfrentar os piores momentos. A evolução de ambos é interessante, mas a realidade é que não a achei nada de extraordinária. Não há propriamente uma grande revelação e acho que teria sido interessante um momento mais emotivo.

Não posso deixar de referir que a Autumn tem um pequeno problema para o qual tem que tomar medicação, medicação essa que não tem consigo quando fica presa, e problema esse que os amigos desconhecem. Claro que às tantas a bomba acaba por explodir em ambas as situações e é isso que faz a história avançar e os personagens enfrentarem a realidade.

Mais um livro que serve para entreter, mas que mais uma vez sinto que não chegou sequer aos calcanhares do The Distance Between Us.

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Opinião - Príncipe dos Espinhos

Ficha Técnica:
Autor: Mark Lawrence
Título Original: Prince of Thorns
Série: Trilogia dos Espinhos, #1
Páginas: 315
Editor: Topseller
ISBN: 9789898839664
Tradutor: Renato Carreira

Sinopse:
Com apenas 9 anos, numa emboscada planeada pelo inimigo para erradicar a descendência real, o príncipe Jorg Ancrath é atirado para dentro de um espinheiro, onde fica preso, com espinhos cravados na sua carne, a ver, impotente, a mãe e o irmão mais novo a serem brutalmente assassinados.
De alma destruída, sedento de sangue e de vingança, Jorg foge da sua vida luxuosa e junta-se a um bando de criminosos e mercenários, a quem passa a chamar de irmãos. Na sua mente há apenas um pensamento, matar o Conde de Renar, o responsável pelas mortes da mãe e do irmão, pelas suas cicatrizes e pela sua alma vazia.
Ao longo de quatro anos, Jorg cresce no seio de batalhas sangrentas, amadurece em guerras impiedosas, torna-se um guerreiro cruel e vai ganhando o respeito dos seus irmãos até que se torna o seu líder. Agora, um reencontro vai levá-lo de volta ao castelo onde cresceu e ao pai que abandonou. O que vai encontrar não é o mesmo sítio idílico de que se lembra, mas o príncipe que agora retorna também não é mais a inocente criança de outrora, é o Príncipe dos Espinhos.

Opinião:
Quando nos encantamos com um personagem do mais sacana que há, mas abominamos muito do que ele faz... É isto que acontece quando conhecemos Jorg, em Príncipe dos Espinhos, logo nas primeiras páginas. Ou pelo menos, no que toca à parte do abominar... O encanto vem com o tempo e alguns abanares de cabeça.

Há que tempos que tinha esta trilogia de Mark Lawrence na minha wishlist em inglês, e foi com grande entusiasmo que a vi ser publicada, cá em Portugal, e a um preço bem mais simpático que o das hardback que queria adquirir. Como podem calcular, este grande passo da Topsseler, foi música para os meus ouvidos. Mas, foi só agora que vi a trilogia completa ser publicada, que me resolvi agarrar ao primeiro volume. E que leitura fantástica foi! 

O universo desta história parece ser o nosso mundo, mas não como nós o conhecemos. Tratar-se-há de um futuro mais primitivo em que nos encontramos de volta aos tempos medievais, já que são referidos vários países conhecidos, ou nomes de terras meio alterados, mas facilmente identificáveis, bem como obras e relatos nada típicos da época supra mencionada. Existem muitas referencias aos antigos "Construtores" (possivelmente o nosso Homem moderno), capazes de grandes obras de engenharia, que os personagens não conseguem conceber, tal como o autor nos descreve em algumas cenas bem engraças com uma espécie de computador e outra com uma estrutura estranha, sem escadas, que parece ter sido em tempos um elevador. Também nos falam de livros antigos com termos estranhos, completamente alheios aos personagens, de cariz cientifico, como por exemplo efeitos mutagénicos causados por certas substâncias.
Espero vir a saber mais sobre estes "Construtores" e o que lhes aconteceu, para desaparecerem da face da terra. Saber porque voltámos a uma época de trevas e retrocesso a nível de conhecimentos.

É neste mundo duro que conhecemos Jorg, o nosso personagem principal, e o acompanhamos no seu percurso sinistro dos 9 aos 14/15 anos. Jorg é príncipe caído, movido pela vingança. É completamente amoral, não tem piedade nem remorsos, parece ser vazio de sentimentos. O que o preenche são sombras, morte e uma desmesurada ambição. É capaz de de grandes atrocidades, em conjunto com o seu bando de "Irmãos", um grupo composto pela maior das escumalhas, com quem elabora os esquemas mais loucos e se joga de cabeça para o abismo.
É um pouco assustador ver tudo o que aquele miúdo é capaz... Aliás, só quando ia sendo referida a sua idade é que me recordava que não estava a acompanhar a história de um adulto cruel.

No entanto, apesar de Jorg ser uma espécie de anti-herói, começa a mostrar, com o decorrer das páginas, que até é capaz de nutrir sentimentos por outros personagens e que vai na volta, até é possível que tenha um pouco de luz no lugar negro e retorcido que é o seu coração, mesmo que com isso se sinta contrariado.
No que respeita a outras personagens, devo dizer que gostei especialmente do Núbio, com a sua pesada besta gravada com caras de Deuses medonhos. Gostei também de ver surgirem Necromantes e criaturas como Leucrotas mutantes, bem como os chamados Bruxos dos sonhos, com os seus poderes de dominar a mente.

Príncipe dos Espinhos foi uma leitura intensa, repleta de batalhas e escaramuças, com momentos bem negros, fortes e sinistros. É uma obra que mantém o leitor agarrado, sempre a querer saber que raio vai Jorg inventar a seguir, ou como se vai safar de determinada situação.
Acredito que não seja um livro que resulte facilmente com todos os amantes de fantasia, especialmente devido à índole moral do protagonista, mas acredito que é bem possível interessarmo-nos e até sermos cativados por um personagem assim, desenhado com muitos tons de cinzento, a cair mais para o negro, ao mesmo tempo que condenamos muitas das suas acções. Isto especialmente quando vemos tudo o que lhe aconteceu com apenas 9 anos, como é o resto da sua família e todos aqueles que o rodeiam. Não desculpando, é difícil ter um bom modelo a seguir nestas condições e no mundo em que vive.

Resumindo e concluindo: Adorei ler este livro, senti-me cativada pelos personagens e pela trama, pelo humor negro de diversas situações. Mal posso esperar por saber qual será o passo seguinte em Rei dos Espinhos.