quarta-feira, 28 de junho de 2017

Opinião - Mary Poppins

Ficha Técnica:
Autor: P. L. Travers
Título Original: Mary Poppins
Série: Mary Poppins, #1
Páginas: 208
Editor: Relógio d'Água
ISBN: 9789896414191
Tradutor: ?

Sinopse:
Jane e Michael não gostavam da sua antiga ama. Também não tinham a certeza de ir gostar da nova: Mary Poppins. Rapidamente mudaram de ideias quando a viram deslizar pelo corrimão acima - e retirar de seguida várias coisas empolgantes de um saco de alcatifa vazio. Agora a única preocupação deles é que ela não parta, pois Mary Poppins apenas prometeu ficar «até que os ventos mudem

Opinião:
O ano passado enquanto via os livros do dia da FdL deparei-me com este e decidi que tinha que o comprar. A Mary Poppins fez parte da minha infância e sempre achei o filme fantástico, logo fiquei com curiosidade em conhecer a história do livro. A verdade é que fiquei um pouco desapontada.

Lembro-me da Mary Poppins como alguém rígido, mas ao mesmo tempo acessível e divertida. Contudo a Mary Poppins do livro não me lembra em nada a personagem de que me recordava. Esta Mary Poppins pareceu-me bastante rígida e desapegada, bem como bastante preocupada apenas consigo mesma e com o seu aspecto. Apesar das aventuras extraordinárias que as crianças vivem na sua companhia não me pareceu que ela gostasse realmente delas e que tivesse o intuito de as ajudar. Ao mesmo tempo não me parece que as crianças fossem tão traquinas como aquilo que me lembrava.

Eventualmente esta minha percepção pode estar a ser influenciada pelo facto de o filme se basear em mais do que o primeiro livro. Assim sendo conto ler os restantes para pelo menos perceber se a visão que tenho se encontra realmente deturpada.

Tirando esta desilusão a história não deixa de ter os seus méritos. As personagens apresentadas são sem dúvida únicas e as aventuras vividas pelas crianças são tudo aquilo que desejávamos que nos tivesse acontecido enquanto crianças.

domingo, 18 de junho de 2017

Opinião - Things We Know by Heart

Ficha Técnica:
Autor: Jessi Kirby
Páginas: 304
Editor: HarperTeen
ASIN: 0062299433

Sinopse:
When Quinn Sullivan meets the recipient of her boyfriend’s donated heart, the two form an unexpected connection.

After Quinn loses her boyfriend, Trent, in an accident their junior year, she reaches out to the recipients of his donated organs in hopes of picking up the pieces of her now-unrecognizable life. She hears back from some of them, but the person who received Trent’s heart has remained silent. The essence of a person, she has always believed, is in the heart. If she finds Trent’s, then maybe she can have peace once and for all.

Risking everything in order to finally lay her memories to rest, Quinn goes outside the system to track down nineteen-year-old Colton Thomas—a guy whose life has been forever changed by this priceless gift. But what starts as an accidental run-in quickly develops into more, sparking an undeniable attraction. She doesn't want to give in to it—especially since he has no idea how they're connected—but their time together has made Quinn feel alive again. No matter how hard she’s falling for Colton, each beat of his heart reminds her of all she’s lost…and all that remains at stake.

Opinião:
Se este livro poderia ser um completo clichê? Sim podia. O que o salva é a maneira como a autora conta a história. Este livro conta-nos a história de Quinn, alguém que perdeu o namorado devido a um acidente e cujos órgãos foram doados. Quinn acaba por conhecer praticamente todos os receptores de órgãos, excepto a pessoa que recebeu o coração do seu namorado. E é quando ela finalmente decide conhecê-lo que a história começa.

Basicamente Quinn acha que vendo esta pessoa será capaz de ultrapassar o passado e começar a viver novamente. Contudo as coisas nunca correm exactamente como esperamos, e o que era suposto ser uma visita sem interacções acaba por se tornar em algo mais.

Se por um lado é óbvio o final da história e isso poderia retirar todo o prazer da leitura, a verdade é que a autora faz um bom trabalho até chegarmos a esse final óbvio. O mais cativante e intrigante do livro é o crescimento e desenvolvimento da Quinn. Como reaprende a viver aos poucos, como lida com a dor da perda e com os momentos em que de repente lhe parece cair tudo em cima. Como lida com a culpa de estar a seguir com a sua vida em frente quando acha que deveria ainda estar a fazer o luto pelo seu namorado.

Claro que o Colton também é interessante. A sua maneira de viver cada dia como se fosse o último, a satisfação que tira de estar vivo e as pequenas pérolas de sabedoria que vai largando durante a narrativa e que foram adquiridas devido a tudo aquilo porque passou tornam-no numa personagem de que é difícil não gostar e acarinhar.

A família da Quinn tem também um papel importante na narrativa, e adorei conhecer, principalmente, a sua irmã e a sua avó. Não haja dúvida que são duas personagens cheias de vida e de força, que carregam em si alguma tristeza, mas que não deixam que a mesma as pare. São pessoas que preferem enfrentar os problemas de cabeça do que deixar-se domar por eles.

A única coisa que me desagradou um pouco no livro é o facto de nunca ter sido colocado em questão o facto de ela se estar a apaixonar pelo rapaz que tem o coração de namorado. Será que ela se apaixona realmente por ele ou que se apaixona pela ideia de ele ter o coração do namorado? Esta questão não é colocada uma única vez durante todo o livro, nem por ela, nem por ele. E a verdade é que no final fiquei com essa dúvida. Não sei se a autora não a abordou com receio que pudesse dar trapalhada ou porque na cabeça dela não havia dúvidas sobre os sentimentos da Quinn. A verdade é que na minha cabeça fiquei um pouco na dúvida e gostava que esta tivesse sido esclarecida através de algum momento de reflexão ou algo semelhante.

Em suma, foi uma leitura agradável. Tenciono ler algo mais da autora.


segunda-feira, 12 de junho de 2017

Opinião - A Rainha dos Malditos Vol I e II

Ficha Técnica:
Autor: Anne Rice
Título Original: The Queen of the Damned
Série: The Vampire Chronicles #3
Páginas: 272 e 260
Editor: Europa-América
ISBN: 9721041653 e 9721041688
Tradutor: Clarisse Tavares

Sinopse:
A Rainha dos Malditos Vol I:
A continuação de Entrevista com o Vampiro e O Vampiro Lestat.

A viagem de Lestat até uma caverna numa ilha grega desperta Akasha, rainha dos malditos e mãe de todos os vampiros, do seu sono de seis mil anos. Desperta e sedenta de sangue, Akasha traça o seu maléfico plano para dominar o mundo dos vivos.
Num concerto em São Francisco, Lestat ignora que entre os fãs há centenas de vampiros dispostos a destruí-lo por ter revelado a condição dos seus semelhantes.
Um misterioso sonho é partilhado por um grupo de homens e vampiros. Quando todos se aproximam, o sonho torna-se mais claro e tudo aponta para uma tragédia indescritível.

Anne Rice é a autora consagrada de vários best-sellers na área da literatura de fantasia e gótica. Entre êxitos como A Rainha dos Malditos e A Hora das Bruxas, alcançou a notoriedade com Entrevista com o Vampiro, um clássico que redefiniu a literatura de vampiros e foi adaptado ao cinema por Neil Jordan.


A Rainha dos Malditos Vol II:
O segundo volume d’ A Rainha dos Malditos, a continuação de Entrevista com o Vampiro e d’ O Vampiro Lestat.

Após ter despertado Akasha, a mãe de todos os vampiros, do seu sono de seis mil anos, Lestat ignora que corre perigo e que, num concerto em São Francisco, há entre os fãs centenas de vampiros dispostos a destruí-lo por ele ter revelado a condição dos seus semelhantes. Um misterioso sonho é partilhado por um grupo de homens e vampiros. Quando todos se aproximam, o sonho torna-se mais claro e tudo aponta para uma tragédia indescritível.

Opinião:
Quando li Entrevista com o Vampiro, não fiquei fã da autora ou da sua escrita. Entretanto decidi ler O Vampiro Lestat e senti que afinal a autora tinha criado personagens extremamente complexas, com uma maneira de ver o mundo de uma forma bastante peculiar. Personagens que tinham passado por bastante tendo em conta o tempo de vida que têm e que por isso as suas histórias eram fascinantes. A Rainha dos Malditos não é diferente. Ao longo destes livros ficamos a conhecer mais da história de Akasha e do modo como se tornou o primeiro vampiro. Já tínhamos uma ideia do que tinha acontecido, mas apenas uma ideia geral.

Neste livro ficamos a conhecer exactamente os acontecimentos que levaram a esta transformação, e esses acontecimentos são-nos transmitidos através do aparecimento de dois novos personagens, Maharet e Khayman. O primeiro volume conta essencialmente os dias que antecedem o concerto de Lestat através da perspectiva de vários personagens diferentes. A segunda parte conta o que acontece depois de Akasha se apoderar de Lestat. Sem dúvida que a parte mais interessante é a segunda, mas a primeira faz um bom trabalho em criar suspense no leitor enquanto este tenta perceber o que está a acontecer e quais são os objectivos de Akasha.

Sem dúvida que foi bastante interessante perceber a origem dos vampiros e como é que tudo aconteceu, mas o mais interessante continua a ser os dilemas dos personagens. As suas dúvidas e receios, a sua necessidade de manter uma parte de si mesmos humanos. As lutas interiores constantes sobre aquilo que são e aquilo que querem para eles próprios. Sem dúvida que os personagens mais cativantes a nível intelectual e emocional são Lestat e a própria Akasha. Akasha pela maneira como se comporta, pela sua necessidade em arranjar justificações para os seus actos corrosivos. Pela sua necessidade em ser adorada e achar que pode controlar tudo e todos e que este é o seu dever, arranjando justificações a torto e a direito só para que sinta que aquilo que está a fazer é correcto. É triste e doentio ver como uma pessoa com tanto poder e que poderia fazer o bem se deixa levar pela sua necessidade de sangue e violência.

Já Lestat encontra-se durante todo o livro num grande dilema. Por um lado conseguiu aquilo que porque sonhava, acordar Akasha e ter uma relação com esta. Tudo isso traz-lhe imensa felicidade e fá-lo sentir-se em êxtase. Contudo os objectivos de Akasha começam a destruí-lo por dentro, começam a arruinar o vampiro que é, levando a que se comece a perder nas suas convicções. Como é possível gostar tanto de alguém, não a querer abandonar, ter uma necessidade premente de estar com ela e ao mesmo tempo ver o mal que ela é, sentir que está a abandonar tudo aquilo que é e não conseguir fazer nada para o impedir? Adorei ler as lutas interiores de Lestat. 

Contudo todos os outros personagens também têm muito para dar. Todos eles são bastante complexos, e adoro as suas complexidades. Se há algo que adoro ver é a maneira como se amam uns ou outros independentemente do sexo, tendo em conta apenas aquilo que são interiormente. E o final. O final foi fascinante pela sua brutalidade e pela maneira como as coisas se resolvem. Estou curiosa para pegar no próximo livro. Tentar perceber as consequências que os acontecimentos deste livro têm no futuro dos personagens, e tentar perceber quais os sarilhos em que Lestat se vai meter da próxima vez.

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Opinião - Under The Lights

Ficha Técnica:
Autor: Abbi Glines
Série: The Field Party, #2
Páginas: 320
Editor: Simon & Schuster
ASIN: B013PJVKCO

Sinopse:
In the follow-up to Abbi Glines’s #1 New York Times bestseller Until Friday Night—three teens from a small southern town are stuck in a dramatic love triangle.

Willa can’t erase the bad decisions of her past that led her down the path she’s on now. But she can fight for forgiveness from her family. And she can protect herself by refusing to let anyone else get close to her.

High school quarterback and town golden boy Brady used to be the best of friends with Willa—she even had a crush on him when they were kids. But that’s all changed now: her life choices have made her a different person from the girl he used to know.

Gunner used to be friends with Willa and Brady, too. He too is larger than life and a high school football star—not to mention that his family basically owns the town of Lawton. He loves his life, and doesn’t care about anyone except himself. But Willa is the exception—and he understands the girl she’s become in a way no one else can.

As secrets come to light and hearts are broken, these former childhood friends must face the truth about growing up and falling in love…even if it means losing each other forever.

Opinião:
Estava um pouco reticente em ler este livro porque desde o início dá perfeitamente para perceber que vai ter um triângulo amoroso e eu não sou nada fã de triângulos amorosos. Na maior parte das vezes estes dão-me vontade de bater em alguém. Contudo até considero que desta vez não foi muito mau. A verdade é que a maior parte dos personagens passa metade do tempo a debater-se com os seus sentimentos, e se é certo ou errado. A protagonista não passa o tempo a pensar qual dos dois há-de escolher e a pensar como é possível gostar de duas pessoas ao mesmo tempo. O que me ajudou a não ter vontade de atirar com o kindle à parede.

Se bem que gostei mais do primeiro livro da série que do segundo, não posso deixar de admitir que também gostei deste segundo e que é uma boa leitura para passar o tempo e espairecer. A protagonista é completamente nova, pelo menos não me lembro de menções a ela no livro anterior, e os dois protagonistas masculinos já conhecemos. Um deles é o primo da Maggie, Brady, e o outro é o Gunner, um dos colegas de Brady e o seu melhor amigo.

É fácil de prever que vai existir ali alguma tensão entre o Gunner e o Brady, melhores amigos que gostam da mesma rapariga nunca funciona bem, mas também não é propriamente uma tragédia e não há grandes cenas daquelas que dão vontade de ficar agoniada. A Willa é uma personagem interessante, que ao fim de alguns anos voltou para viver com a sua avó após ter passado meses num centro de correcção devido a um erro que cometeu. Erro esse pelo qual ainda hoje se culpa. Tudo isto mudou Willa, e enquanto um dos personagens tenta recuperar a Willa que existia, o outro aceita a Willa actual e tentar ajudá-la a ultrapassar os seus problemas. E atenção que tentar recuperar a antiga Willa não é algo mau, visto que para tentar recuperar uma parte de nós é preciso ultrapassar o que nos faz mal. Mas é a maneira ou a intenção que damos à coisa que pode ser certa ou a errada.

Além de que, como diz o Brady a certa altura, como é que é possível ajudar-mos e perceber alguém se nunca tivemos nenhum problema, se não nunca conhecemos tristeza extrema. Não é fácil perceber ou colocarmo-nos no lugar de alguém. Apesar de dizer-mos que compreendemos e de querer ajudar, a verdade é que na realidade não compreendemos porque não passamos pela mesma coisa nem por algo semelhante.

Quanto ao Gunner, a usa história também é triste, não a achei tão life changing como a da Willa, mas não deixa de criar cicatrizes a maneira como sempre foi tratado pelas pessoas que o deviam amar. A maior parte dos momentos mais emocionais são em seguimento ao Gunner e à sua interacção com a sua família. Conforme a história se vai desenrolando, novas informações vão sendo reveladas, que nos mostram o porquê de o Gunner sempre ter sido tratado de determinada maneira. Se bem que acho que a autora foi um pouco mais à frente do que devia, rasando o exagero relativamente à complexidade e reviravoltas da história do Gunner. Mas pronto, consigo ultrapassar isso.

Assim sendo, a Willa tem tendência para se afastar de toda a gente porque não quer ser responsável por magoar mais ninguém ou a si mesma. O Gunner é um bocadinho parvalhão pois não tem outra maneira de lidar com aquilo que passa em casa, tornando-se um imbecil excepto quando está com a Willa, e o Brady luta consigo mesmo, pelas escolhas que fez e que não fez mas devia ter feito.

Um livro que é aquilo que se espera dele. Personagens minimamente interessantes, com uma história de fácil leitura e que entretem sem fazer o leitor pensar por aí além. Contudo este livro em específico deixou-me curiosa e entusiasmada para o próximo visto que vai ser com uma das personagens secundárias femininas que ficámos a conhecer neste livro e que parece ter um passado bem sórdido, além de ser odiada por quase toda a gente, incluindo os personagens que já conhecemos.

domingo, 28 de maio de 2017

Opinião - Kingdom of Shadows

Ficha Técnica:
Autor: Barbara Erskine
Páginas: 772
Editor: Warner Books
ISBN: 0747401306

Sinopse:
In a childless and unhappy marriage, Clare Royland is rich and beautiful - but lonely. And fueling her feelings of isolation is a strange, growing fascination with an ancestress from the distant past. Troubled by haunting inexplicable dreams that terrify - but also powerfully compel - her, Clare is forced to look back through the centuries for answers.

In 1306, Scotland is at war. Isobel, Countess of Buchan, faces fear and the prospect of untimely death as the fighting surrounds her. But passionate and headstrong, her trials escalate when she is persecuted for her part in crowning Robert the Bruce, her lover.

Duncairn, Isobel's home and Clare's beloved heritage, becomes a battleground for passions that span the centuries. As husband Paul's recklessness threatens their security, Clare must fight to save Duncairn, and to save herself from the powers of Isobel...

Opinião:
Os livros desta autora acabam por ser bastante semelhantes na sua concepção. Essencialmente o que muda é a história a contar, mas a maneira como essa história é contada acaba por ser praticamente a mesma. Neste caso a personagem principal é como que assombrada por uma sua antepassada.

A personagem principal é Clare, uma rapariga que desde cedo percebermos guardar em si uma solidão extrema, solidão essa que a mesma contraria invocando imagens da sua antepassada Isobel. O problema começa a aparecer quando Clare começa a deixar de ter controlo sobre as suas invocações, conseguidas através da meditação, e estas se começam a dar sem que a mesma as tenhas chamado. Ao longo da narrativa vamos então acompanhando a vida de Clare, e a sua tentativa em encontrar um significado para a sua vida bem como para as visões que tem. Ao mesmo tempo vamos ficando a conhecer as tribulações de Isobel. Ambas são dignas de respeito e compaixão, pois na realidade nenhuma delas trilha um caminho fácil de percorrer.

No caso de Clare este caminho mostra-se bastante conturbado essencialmente por causa do seu marido, Paul. Paul é uma pessoa bastante controladora e que não vê a meios para atingir os seus objectivos. Desde o início que faz de tudo para controlar a herança de Clare, levando os outros a acreditar que Clare está completamente louca quando na realidade é ele que cada vez mais se começa a desligar da realidade. Foi assustador ver como a mente de Paul se foi degradando ao longo da narrativa e as artimanhas que este usava para controlar todas as pessoas à sua volta.

Existem outros personagens que vão aparecendo, principalmente os parentes de Paul, mas não os acho propriamente dignos de relevância. Na maior parte das vezes mostram ser tão implacáveis como o seu irmão ou limitam-se a ver a realidade apenas como lhes convém em vez de tentar perceber e ajudar realmente Clare.

Apesar de o livro ser bastante semelhante a outros que já li da autora, a realidade é que até gostei bastante da história e de como esta foi contada. Essencialmente por causa do percurso de Clare. Confesso que às vezes senti que a autora procrastinava um pouco o que não me permitiu gostar tanto do livro como poderia. Contudo foi uma leitura agradável e bastante rápida tendo em conta a dimensão do livro.

domingo, 21 de maio de 2017

Opinião - Until Friday Night

Ficha Técnica:
Autor: Abbi Glines
Série: The Field Party, #1
Páginas: 336
Editor: Simon Pulse
ASIN: B00TBKUXQQ

Sinopse:
To everyone who knows him, West Ashby has always been that guy: the cocky, popular, way-too-handsome-for-his-own-good football god who led Lawton High to the state championships. But while West may be Big Man on Campus on the outside, on the inside he’s battling the grief that comes with watching his father slowly die of cancer.

Two years ago, Maggie Carleton’s life fell apart when her father murdered her mother. And after she told the police what happened, she stopped speaking and hasn’t spoken since. Even the move to Lawton, Alabama, couldn’t draw Maggie back out. So she stayed quiet, keeping her sorrow and her fractured heart hidden away.

As West’s pain becomes too much to handle, he knows he needs to talk to someone about his father—so in the dark shadows of a post-game party, he opens up to the one girl who he knows won’t tell anyone else.

West expected that talking about his dad would bring some relief, or at least a flood of emotions he couldn’t control. But he never expected the quiet new girl to reply, to reveal a pain even deeper than his own—or for them to form a connection so strong that he couldn’t ever let her go…

Opinião:
Já não me lembro bem porquê, mas há algum tempo atrás inscrevi-me numa comunidade chamada Riveted. Nesta comunidade temos semanalmente alguns livros disponíveis para ler na integra, além de passatempos, e outros que mais. Mas atenção, os livros sobre os quais esta comunidade assenta são essencialmente YA. Há uns tempos andava eu a dar uma vista de olhos e deparei-me com este livro. Que achei interessante devido à peculiaridade da personagem principal feminina.

A autora eu já conhecia, pelo menos de ouvir falar, visto que já teve um seu livro editado em Portugal. Contudo nunca me tinha chamado propriamente a atenção até ter lido a sinopse de Until Friday Night.

Maggie passou por algo extremamente traumatizante à relativamente pouco tempo. Porque quando algo nos toca profundamente 2 anos é muito pouco tempo. Aquando do início da história ela acabou de se mudar para Lawton, para casa dos seu tios e do seu primo de modo a tentar recuperar e sarar. Contudo Maggie é uma pessoa peculiar. Desde o momento em que contou à polícia o crime a que assistiu nunca mais falou com ninguém. Esta foi a maneira que arranjou de se proteger e sarar. Contudo, isso acaba por mudar quando conhece West. Este está a passar por um momento particularmente difícil e angustiante na sua vida. E Maggie vê nele a mesma tristeza que vê nos seus olhos e sente uma grande necessidade de ajudá-lo. Assim sendo começa a falar aos poucos com ele, revelando-lhe os seus segredos, ao mesmo tempo que West começa a revelar que tipo de pessoa realmente é.

De uma maneira geral gostei bastante do livro. Gostei da maneira como a autora nos apresenta os personagens e a maneira como vivem a sua vida. Gostei do caminho que a autora trilhou para eles e de como eles seguiram esse caminho, com mais ou menos tropeções, mas sempre a tentar melhorar. As suas dúvidas e receios também são fáceis de compreender. Afinal West é a única pessoa com quem Maggie fala, logo West tem medo que Maggie deixe de precisar dele quando começar a falar com outras pessoas e Maggie tem receio que West deixe de a achar interessante quando ela deixar de ser peculiar. É um bocado totó, mas ao mesmo tempo não é difícil de imaginar que este tipo de dúvidas pudessem surgir. O romance dos dois personagens vai-se desenvolvendo aos poucos, não é imediato nem apressado e agradeço à autora por isso.

Não posso deixar de referir os amigos e a família de Maggie e West. Maggie é completamente adorada pelos seus tios, e só no final é que ela realmente percebe o quão é amada quando percebe que os tios realmente a aceitam como é. Já com o seu primo a relação inicial não é muito famosa, mas afinal de contas a Maggie veio roubar o espaço que era dele, e ainda por cima ele era constantemente obrigado a tomar conta dela. Acredito que essa não seja de todo a melhor maneira de se começar uma amizade. Mas a verdade é que ele gosta realmente dela, e preocupa-se realmente com ela. E é adorável ver os momentos mais emotivos.

Quanto à família de West, é fácil perceber o amor que os une, e o quanto a fase porque estão a passar os está a destruir. É fácil perceber que as coisas nunca mais serão as mesmas e isso dói. Contudo os amigos de West estão lá para ele, constantemente a apoiá-lo e a ajudá-lo a seguir em frente. Sem dúvida que todos eles são um grupo bastante unido.

A única coisa que eventualmente me deixou um pouco desiludida, foi o modo como a autora pintou o quadro sobre o facto de a Maggie ser de certo modo muda. Consigo aceitar as suas explicações, mas acho que poderiam ter sido explicações mais emotivas, mais sentidas, que fizessem o leitor viver mais o seu estado de espírito e os seus receios. Achei que sempre que ela falava e abordava o porquê de ter decidido não falar e ter tanto medo de o fazer o fazia de forma algo desapegada.

De qualquer modo estou curiosa para ler o próximo livro e saber a história dos próximos personagens. Até porque existem alguns mistérios por revelar nos próximos livros.

domingo, 14 de maio de 2017

Opinião - Parque Jurássico

Ficha Técnica:
Autor: Michael Crichton
Título Original: Jurassic Park
Série: Jurassic Park, #1
Páginas: 430
Editor: Difiusão Cultural
ISBN: 972709094X
Tradutor: Fernanda Branco

Sinopse:
John Hammond, presidente da multinacional InGen, está prestes a ver concretizado o sonho da sua vida: inaugurar um sofisticado (e lucrativo) parque turístico onde foi reconstruído o ambiente natural de Terra de há milhões de anos e cujos animais são... dinossauros!
Confinados numa pequena ilha da Costa Rica, os espécimes produzidos pela mais revolucionária tecnologia da engenharia genética parecem estar sob absoluto controlo dos supercomputadores e dos cérebros geniais que os criaram.
No entanto, um pormenor foi esquecido. Desaparecidos da face do planeta, quando o homem ainda não o habitava, os dinossauros podem apresentar reacções inesperadas aos seres humanos.
Parque Jurássico não se limita a ser uma obra brilhante de aventura e ficção científica. Propõe, igualmente, uma reflexão cuidadosa sobre o uso que se pode fazer da ciência.

Opinião:
Este livro veio-me parar às mãos por puro acaso, nunca tinha pensado nele ou sequer em lê-lo, contudo quando o vir pensei "Porque não"? Fiquei curiosa em saber se a máxima de que o livro é sempre melhor que o filme também se aplicava neste caso. Contudo apesar de esta ser uma leitura agradável, a verdade é que gostei mais do filme que do livro.

Existem algumas diferenças evidentes entre ambos. Antes de mais achei que o livro tinha um teor muito mais filosófico que o filme. Existem vários personagens, principalmente o Ian, que passam grande parte do livro a questionar-se ou a dizer peremptoriamente que toda a ideia do parque é errada e que só pode dar em desgraça. Existe também alguma acção, mas nenhuma dela é propriamente aflitiva e assustadora. Enquanto que no filme há sempre aquela sensação de "o que é que vai acontecer agora", no livro essa sensação não é tão forte, o que me fez perder um pouco o interesse e tornar a leitura um pouco mais demorada.

Existem outras alterações, como a troca de idades de alguns personagens, e determinados acontecimentos aparecem no livro e não no filme e vice-versa. Se por um lado gostei da parte introdutória do livro, em que vemos determinadas desgraças a acontecer sem se ter a certeza do que é que se passa, a verdade é que também achei a introdução algo aborrecida devido à sua extensão.

No geral é um livro interessante, que vai buscar as ideias que se viviam na altura em que a história foi escrita e as transforma em algo mais. A ideia de um parque jurássico é e há-de ser sempre fascinante, a possibilidade de trazer-mos de volta seres com os quais sonhamos há-de ser sempre um ideal do Homem. Achei que poderia ser melhor trabalhado se houvesse um pouco mais de suspense na narrativa, contudo parece-me que essa vontade vem do facto de ter aprendido a ver esta história mais como uma história de acção do que uma história de reflexão e parece-me que o autor talvez estivesse mais apostado na segunda hipótese que a primeira.

Sou sincera, não sei se irei ler o segundo livro ou não. Por um lado tenho curiosidade para saber como as coisas acabam, por outro já li algumas opiniões que me deixaram de pé atrás. Eventualmente vai depender do tempo que tiver.

sexta-feira, 12 de maio de 2017

Opinião -Shifting Shadows

Ficha Técnica:
Autor: Patricia Brigds
Série: Mercy Thompson
Páginas: 464
Editor: Ace
ASIN: B00IOE4M9O

Sinopse:
A collection of all-new and previously published short stories featuring Mercy Thompson, “one of the best heroines in the urban fantasy genre today” (Fiction Vixen Book Reviews), and the characters she calls friends…

Includes the new stories…
“Silver”
“Roses in Winter”
“Redemption”
“Hollow”

…and reader favorites
“Fairy Gifts”
“Gray”
“Alpha and Omega” (Alpha & Omega 0.5)
“Seeing Eye” (Alpha & Omega 1.5)
“The Star of David” (Mercy Thompson 1.5)
“In Red, with Pearls” (Mercy Thompson 6.5)

Opinião:
Não me vou alongar muito com a opinião acerca deste livro de contos porque na realidade não tenho muito para dizer. Não quero com isto dizer que tenha achado o livro inferior, apenas acontece que parte dos contos já tinha lido noutras ocasiões, e os que li agora estão ao nível que Briggs já nos habituou.

É óbvio que adorei ficar a saber um pouco mais dos vários personagens. É impossível não ficar triste com a história do Sammuel e do Bran e de como tudo começou, ou o porquê de a Arianna e o Sammuel terem sido obrigados a separar-se durante tanto tempo. É impossível não sentirmos empatia pelo The Moor, e não apreciar tudo aquilo que ele faz por aqueles de quem gosta independentemente de isso o poder destruir, ver o seu lado mais sensível é algo de surpreendente. 

Houve pelo menos um conto que apesar de já ter lido anteriormente não o tinha conseguido compreender muito bem, mas que após a leitura dos livros mais recentes ficou sobre uma nova luz e tudo fez muito mais sentido. O que me ajudou a compreender muito melhor a relação entre determinados personagens. Outro conto que adorei foi o do Ben, aquele ser que está constantemente a dizer asneiras e resmungar é alguém digno de confiança e que se preocupa com os seus apesar do seu exterior mais rezingão e desapegado. Ficar a conhecê-lo um pouco melhor foi sem dúvida algo interessante.

Claro que os restantes contos também são bastante interessantes e cativantes e mostram-nos pequenos momentos que nos fazem compreender melhor os nossos personagens, tal como nos fazem sentir mais próximos deles. Sem sombra de dúvida um excelente complemento ao mundo criado por Patricia Briggs.

domingo, 7 de maio de 2017

Opinião - The Handmaid's Tale

Ficha Técnica:
Autor: Margaret Atwood
Páginas: 324
Editor: Houghton Mifflin Harcourt
ASIN: B003JFJHTS

Sinopse:
The Handmaid's Tale is not only a radical and brilliant departure for Margaret Atwood, it is a novel of such power that the reader will be unable to forget its images and its forecast. Set in the near future, it describes life in what was once the United States, now called the Republic of Gilead, a monotheocracy that has reacted to social unrest and a sharply declining birthrate by reverting to, and going beyond, the repressive intolerance of the original Puritans. The regime takes the Book of Genesis absolutely at its word, with bizarre consequences for the women and men of its population.

The story is told through the eyes of Offred, one of the unfortunate Handmaids under the new social order. In condensed but eloquent prose, by turns cool-eyed, tender, despairing, passionate, and wry, she reveals to us the dark corners behind the establishment's calm facade, as certain tendencies now in existence are carried to their logical conclusions. The Handmaid's Tale is funny, unexpected, horrifying, and altogether convincing. It is at once scathing satire, dire warning, and tour de force. It is Margaret Atwood at her best.

Opinião:
Esta opinião vem um pouco atrasada. Já li o livro na última semana de Abril, para o desafio do 2017 Monthly Keyword reading challenge, mas pelos mais diversos motivos ainda não tinha conseguido escrever a correspondente opinião.

O que posso dizer deste livro é que ele é completamente assustador. Ver como após tudo aquilo porque as mulheres lutaram estas voltam à estaca zero. É assustador ver como as mulheres são tratadas como nada mais que objectos e como máquinas de procriação é realmente assustador. Como são tratadas como se todo o mal do mundo fosse culpa delas, como se estas não tivessem vontade, sonhos ou pensamentos é algo que deixa qualquer pessoa assustada.

O pior no meio disto tudo é que não é difícil acreditar num mundo destes. Não é assim tão diferente de muitas das histórias que ouvimos em determinados países. Este livro parece quase uma premonição daquilo que pode vir a acontecer tendo em conta vários acontecimentos recentes. Uma vez mais a religião tem um papel importante e determinante no modo como determinadas práticas são aceites. Na maior parte das vezes o poder que rege esta sociedade vai buscar justificações para as suas acções numa interpretação literal da Bíblia, fazendo as mulheres sentir-se culpadas e subjugadas.

A temática do livro é bastante interessante, mas sozinha não funcionaria. Sendo a história contada na primeira pessoa, a voz da nossa protagonista é bastante melodiosa e cadenciada embalando o leitor através dos acontecimentos das sua vida e das suas memórias, das suas dúvidas e medos, dos seus sonhos e desejos. É impossível ficar indiferente ao sofrimento desta personagem que vive o presente e recorda um passado completamente diferente. E o final da história deixa um travo a amargo por não sabermos o que realmente vai acontecer com esta personagem que ao longo da narrativa nos fez sentir tanta empatia e tristeza.

Este é sem dúvida um livro a ler, um livro que nos tenta avisar para os perigos do futuro, da religião e da cegueira pela qual muitas vezes o Homem se deixa dominar. Um livro que toca quem quer que o leia e que nos deixa a pensar no que poderá trazer o futuro.


sexta-feira, 28 de abril de 2017

Opinião - By Your Side

Ficha Técnica:
Autor: Kasie West
Páginas: 352
Editor: HarperTeen
ASIN: B01G1G48OU


Sinopse:
In this irresistible story, Kasie West explores the timeless question of what to do when you fall for the person you least expect. Witty and romantic, this paperback original from a fan favorite is perfect for fans of Stephanie Perkins and Morgan Matson.

When Autumn Collins finds herself accidentally locked in the library for an entire weekend, she doesn’t think things could get any worse. But that’s before she realizes that Dax Miller is locked in with her. Autumn doesn’t know much about Dax except that he’s trouble. Between the rumors about the fight he was in (and that brief stint in juvie that followed it) and his reputation as a loner, he’s not exactly the ideal person to be stuck with. Still, she just keeps reminding herself that it is only a matter of time before Jeff, her almost-boyfriend, realizes he left her in the library and comes to rescue her.

Only he doesn’t come. No one does.

Instead it becomes clear that Autumn is going to have to spend the next couple of days living off vending-machine food and making conversation with a boy who clearly wants nothing to do with her. Except there is more to Dax than meets the eye. As he and Autumn first grudgingly, and then not so grudgingly, open up to each other, Autumn is struck by their surprising connection. But can their feelings for each other survive once the weekend is over and Autumn’s old life, and old love interest, threaten to pull her from Dax’s side?


Opinião:
Não sou propriamente uma fã inveterada da autora. É verdade que já li quase todos os livros dela que têm uma estrutura semelhante a este, mas na realidade só houve um que me deixou completamente fascinada. Apesar disso sei que é uma autora que tem uma escrita fácil de ler e os seus personagens não são completamente tontinhos, pelo que é sempre uma boca opção quando quero ler algo mais simples e que sirva para me entreter durante meia dúzia de horas.

Neste caso a nossa protagonista fica presa dentro da biblioteca acompanhada pelo maior enigma da escola e sem saber o que é que aconteceu aos seus amigos para que não a tenham ido procurar. Se bem que ao início a relação entre Dax e Autumn é um pouco tensa, afinal ela supostamente é uma menina rica e ele um delinquente sem simpatia e tacto nenhum, a verdade é que aos poucos Autumn vai conseguindo quebrar a carapaça de Dax, o que permite a ambos partilharem determinados momentos e segredos. Afinal é difícil não sentir uma certa intimidade para com outra pessoa quando nos encontramos isolados do resto do mundo.

Contudo aos poucos tanto Dax como Autumn começam a perceber que a ligação que sentem é mais profunda que aquilo que pensavam. Autumn tinha planos para o seu futuro amoroso, contudo aos poucos começa a perceber-se melhor a si mesma, e a perceber que às vezes gostar muito de uma pessoa não importa se essa pessoa não nos faz bem. Já Dax começa a perceber que às vezes sentir-se apegado é positivo e que ajuda a enfrentar os piores momentos. A evolução de ambos é interessante, mas a realidade é que não a achei nada de extraordinária. Não há propriamente uma grande revelação e acho que teria sido interessante um momento mais emotivo.

Não posso deixar de referir que a Autumn tem um pequeno problema para o qual tem que tomar medicação, medicação essa que não tem consigo quando fica presa, e problema esse que os amigos desconhecem. Claro que às tantas a bomba acaba por explodir em ambas as situações e é isso que faz a história avançar e os personagens enfrentarem a realidade.

Mais um livro que serve para entreter, mas que mais uma vez sinto que não chegou sequer aos calcanhares do The Distance Between Us.

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Opinião - Príncipe dos Espinhos

Ficha Técnica:
Autor: Mark Lawrence
Título Original: Prince of Thorns
Série: Trilogia dos Espinhos, #1
Páginas: 315
Editor: Topseller
ISBN: 9789898839664
Tradutor: Renato Carreira

Sinopse:
Com apenas 9 anos, numa emboscada planeada pelo inimigo para erradicar a descendência real, o príncipe Jorg Ancrath é atirado para dentro de um espinheiro, onde fica preso, com espinhos cravados na sua carne, a ver, impotente, a mãe e o irmão mais novo a serem brutalmente assassinados.
De alma destruída, sedento de sangue e de vingança, Jorg foge da sua vida luxuosa e junta-se a um bando de criminosos e mercenários, a quem passa a chamar de irmãos. Na sua mente há apenas um pensamento, matar o Conde de Renar, o responsável pelas mortes da mãe e do irmão, pelas suas cicatrizes e pela sua alma vazia.
Ao longo de quatro anos, Jorg cresce no seio de batalhas sangrentas, amadurece em guerras impiedosas, torna-se um guerreiro cruel e vai ganhando o respeito dos seus irmãos até que se torna o seu líder. Agora, um reencontro vai levá-lo de volta ao castelo onde cresceu e ao pai que abandonou. O que vai encontrar não é o mesmo sítio idílico de que se lembra, mas o príncipe que agora retorna também não é mais a inocente criança de outrora, é o Príncipe dos Espinhos.

Opinião:
Quando nos encantamos com um personagem do mais sacana que há, mas abominamos muito do que ele faz... É isto que acontece quando conhecemos Jorg, em Príncipe dos Espinhos, logo nas primeiras páginas. Ou pelo menos, no que toca à parte do abominar... O encanto vem com o tempo e alguns abanares de cabeça.

Há que tempos que tinha esta trilogia de Mark Lawrence na minha wishlist em inglês, e foi com grande entusiasmo que a vi ser publicada, cá em Portugal, e a um preço bem mais simpático que o das hardback que queria adquirir. Como podem calcular, este grande passo da Topsseler, foi música para os meus ouvidos. Mas, foi só agora que vi a trilogia completa ser publicada, que me resolvi agarrar ao primeiro volume. E que leitura fantástica foi! 

O universo desta história parece ser o nosso mundo, mas não como nós o conhecemos. Tratar-se-há de um futuro mais primitivo em que nos encontramos de volta aos tempos medievais, já que são referidos vários países conhecidos, ou nomes de terras meio alterados, mas facilmente identificáveis, bem como obras e relatos nada típicos da época supra mencionada. Existem muitas referencias aos antigos "Construtores" (possivelmente o nosso Homem moderno), capazes de grandes obras de engenharia, que os personagens não conseguem conceber, tal como o autor nos descreve em algumas cenas bem engraças com uma espécie de computador e outra com uma estrutura estranha, sem escadas, que parece ter sido em tempos um elevador. Também nos falam de livros antigos com termos estranhos, completamente alheios aos personagens, de cariz cientifico, como por exemplo efeitos mutagénicos causados por certas substâncias.
Espero vir a saber mais sobre estes "Construtores" e o que lhes aconteceu, para desaparecerem da face da terra. Saber porque voltámos a uma época de trevas e retrocesso a nível de conhecimentos.

É neste mundo duro que conhecemos Jorg, o nosso personagem principal, e o acompanhamos no seu percurso sinistro dos 9 aos 14/15 anos. Jorg é príncipe caído, movido pela vingança. É completamente amoral, não tem piedade nem remorsos, parece ser vazio de sentimentos. O que o preenche são sombras, morte e uma desmesurada ambição. É capaz de de grandes atrocidades, em conjunto com o seu bando de "Irmãos", um grupo composto pela maior das escumalhas, com quem elabora os esquemas mais loucos e se joga de cabeça para o abismo.
É um pouco assustador ver tudo o que aquele miúdo é capaz... Aliás, só quando ia sendo referida a sua idade é que me recordava que não estava a acompanhar a história de um adulto cruel.

No entanto, apesar de Jorg ser uma espécie de anti-herói, começa a mostrar, com o decorrer das páginas, que até é capaz de nutrir sentimentos por outros personagens e que vai na volta, até é possível que tenha um pouco de luz no lugar negro e retorcido que é o seu coração, mesmo que com isso se sinta contrariado.
No que respeita a outras personagens, devo dizer que gostei especialmente do Núbio, com a sua pesada besta gravada com caras de Deuses medonhos. Gostei também de ver surgirem Necromantes e criaturas como Leucrotas mutantes, bem como os chamados Bruxos dos sonhos, com os seus poderes de dominar a mente.

Príncipe dos Espinhos foi uma leitura intensa, repleta de batalhas e escaramuças, com momentos bem negros, fortes e sinistros. É uma obra que mantém o leitor agarrado, sempre a querer saber que raio vai Jorg inventar a seguir, ou como se vai safar de determinada situação.
Acredito que não seja um livro que resulte facilmente com todos os amantes de fantasia, especialmente devido à índole moral do protagonista, mas acredito que é bem possível interessarmo-nos e até sermos cativados por um personagem assim, desenhado com muitos tons de cinzento, a cair mais para o negro, ao mesmo tempo que condenamos muitas das suas acções. Isto especialmente quando vemos tudo o que lhe aconteceu com apenas 9 anos, como é o resto da sua família e todos aqueles que o rodeiam. Não desculpando, é difícil ter um bom modelo a seguir nestas condições e no mundo em que vive.

Resumindo e concluindo: Adorei ler este livro, senti-me cativada pelos personagens e pela trama, pelo humor negro de diversas situações. Mal posso esperar por saber qual será o passo seguinte em Rei dos Espinhos.

sábado, 22 de abril de 2017

Opinião - Blood of Tyrants

Ficha Técnica:
Autor: Naomi Novik
Série: Temeraire, #8
Páginas: 486
Editor: Del Rey
ISBN: 0345522907

Sinopse:
Naomi Novik’s beloved Temeraire series, a brilliant combination of fantasy and history that reimagines the Napoleonic wars as fought with the aid of intelligent dragons, is a twenty-first-century classic.

Shipwrecked and cast ashore in Japan with no memory of Temeraire or his own experiences as an English aviator, Laurence finds himself tangled in deadly political intrigues that threaten not only his own life but England’s already precarious position in the Far East. Age-old enmities and suspicions have turned the entire region into a powder keg ready to erupt at the slightest spark – a spark that Laurence and Temeraire may unwittingly provide, leaving Britain faced with new enemies just when they most desperately need allies instead.

For to the west, another, wider conflagration looms. Napoleon has turned on his former ally, the emperor Alexander of Russia, and is even now leading the largest army the world has ever seen to add that country to his list of conquests. It is there, outside the gates of Moscow, that a reunited Laurence and Temeraire – along with some unexpected allies and old friends – will face their ultimate challenge . . . and learn whether or not there are stronger ties than memory.

Opinião:
Demorei imenso tempo a começar a ler este livro. Mas mais uma vez assim que comecei não consegui parar. Tenho andado outra vez sem vontade de fazer nada, o que acaba por se reflectir nas minhas leituras. Ao menos quando começo a ler passa-me a preguiça e a coisa até corre bastante bem. O problema é mesmo começar. Mas pronto, neste momento está o livro lido e é isso o que é importante.

Continuamos a seguir a história de Laurence e Temeraire na sua luta contra o exército de Naoleão. Confesso que houve alguns pormenores dos quais já não me lembrava, o que ajudou a que o livro me surpreendesse pela positiva. Confesso que o livro também começou logo a grande velocidade, o que ajudou a que me mantivesse interessada durante toda a história.

A nível de qualidade o livro não difere muito dos anteriores, houve durante a série ali um ou dois livros em que achei a história dos personagens deficiente e os acontecimentos aborrecidos, mas ultimamente isso não se tem verificado. Têm existido adições constantes de personagens interessantes que vêm dar novo vigor à história. Ao mesmo tempo os personagens que basicamente nos acompanham durante o início também vão passando por situações que os transformam. Por exemplo neste livro, Laurence perde a memória dos últimos 8 anos, mas existem certas coisas que permanecem com ele involuntariamente. O amor e respeito que sente pelo Temeraire e pelas pessoas que estão à sua guarda, a sua maneira de pensar. São coisas que estão profundamente enraizadas nele e que apesar de ele não as conseguir explicar, o que o torna algo apreensivo, existem de facto e ele não consegue fazer nada para as mudar.

Quanto ao rumo da história, não sei o que vai sair dali, também porque não conheço propriamente o percurso da guerra. Mas deduzo que ainda venham por aí muitas surpresas e muitas delas não muito boas. Estou curiosa para saber que dragão vai ser o cruzamento entre o Temeraire e a Iskierka. Uma personalidade bem peculiar vai ter de certeza, mas será que vai herdar as capacidades da mãe ou do pai? Questões, questões...

A única coisa que não me agradou por aí além no livro foi a passagem da parte I para a parte II. Achei um bocadinho atabalhoada e confusa. A parte II começa logo com algo estrondoso a acontecer e eu nem sequer consegui perceber de onde é que vieram aqueles acontecimentos, o que me deixou um pouco baralhada.

Fico então a aguardar a possibilidade de ler o último livro, espero que seja pelo menos ao nível deste para que a série possa acabar em beleza.

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Opinião - Desert Tales

Ficha Técnica:
Autor: Melissa Marr
Série: Wicked Lovely
Páginas: 245
Editor: HarperCollins
ISBN: 0062287567

Sinopse:
Return to the world of Melissa Marr's bestselling series and discover how the events of Wicked Lovely set a different faery tale in motion. . . . Originally presented as a manga series and now available for the first time as a stand-alone novel, Desert Tales combines tentative romance, outward strength, and inner resolve in a faery story of desert and destiny.

The Mojave Desert was a million miles away from the plots and schemes of the Faerie Courts—and that's exactly why Rika chose it as her home. The once-mortal faery retreated to the desert's isolation after decades of carrying winter's curse inside her body. But her seclusion—and the freedom of the desert fey—is threatened by the Summer King's newfound strength. And when the manipulations of her trickster friend, Sionnach, thrust Rika into a new romance, she finds new power within herself—and a new desire to help Sionnach protect the desert fey and mortals alike. The time for hiding is over.

Opinião:
Neste livro ficamos a conhecer um pouco da história da Winter Girl que ocupou o cargo antes de Donya. Alguns dos personagens da série original aparecem neste livro, nomeadamente Keenan e Donya. A história passa-se essencialmente após Keenan ter recuperado os seus poderes na totalidade e a Rainha do Inverno ter morrido.

Ao início Rika é alguém que ainda está a fazer o luto por aquilo em que se tornou apesar de já terem passado anos desde que libertou da maldição a que esteve sujeita. É preciso um empurrão do seu único amigo, Sionnach, para que Rika comece a libertar-se das grilhetas do passado e tome o lugar a que tem direito por ser o faery mais forte existente no deserto de Mojave. Foi interessante ver como Rika começa a lutar por aquilo que é realmente importante quando existe algo para proteger e como afinal não é o ser débil e sem vontade que parecia ao início.

Gostei especialmente da sua relação com Jayce, e como esta a torna mais receptiva às coisas boas da vida. Em como Jayce a faz sentir-se novamente viva. Gostei ainda mais de ver a sua relação com Sionnach, e tudo o que ele faz para a proteger e para a ajudar, mesmo que para isso tenha que a manipular. É fácil de perceber os sentimentos que Sionnach tem por Rika, mas sobre os quais não ousa agir porque sabe que isso não trará qualquer benefício para nenhum dos dois.

No geral é um livro aceitável para passar o tempo. Mas não o achei nada de extraordinário. Os antagonistas não parecem ser um problema sério, e por isso os desafios de Rika também não parecem ser assim tão difíceis de ultrapassar.

Lembro-me com carinho da série original, e lembro-me que até gostei bastante. Mas senti que este livro ficava por de mais aquém daquilo que esperava. Ou porque é realmente bem mais fraco que a série original ou porque simplesmente os meus gostos evoluíram desde aquela altura e neste momento sou uma pessoa mais exigente. Neste momento não o sei dizer.

Assim sendo senti que este não era um livro que acrescentava propriamente informação útil à história original e que por isso mesmo não é uma leitura obrigatória para quem gostou da série Wicked Lovely.

sexta-feira, 14 de abril de 2017

Novos na Estante (da Rita) #13 - Março de 2017


Olá pessoal! Sejam bem-vindos a mais um Novos na Estante. O mês de Março já lá vai e por aqui estou mais que pronta para vos mostrar os livrinhos novos que chegaram cá a casa. Vamos a isto?

Comecemos então com as compras em PT:
Esperei que a Fnac fizesse 20% de desconto em todos os livros, para aderentes, de modo a aproveitar da melhor maneira os cartões presente e um vale de desconto que tinha aqui para gastar.
Por isso, estes quatro livrinhos que se encontram na imagem ao lado saíram-me de borla ^^
- Norte e Sul de Elizabeth Gaskell, um clássico que há muito queria adquirir;
- Marcado na Pele da minha Anne Bishop, o 4º volume da série Os Outros;
- Rei dos Espinhos e Imperador dos Espinhos de Mark Lawrence, volumes 2 e 3 da Trilogia dos Espinhos.
Continuando com os livros em PT e agora na vertente Graphic Novel e Manga:
- Assassination Classroom, volume 7 de Yusei Matsui;
- Fatale volumes 1 e 2 de Ed Brubaker e Sean Phillips, uma série nova na qual resolvi apostar, já que estes dois livros estavam com uma promoção especial;
- Saga volume 6 de Brian K. Vaughan e Fiona Staples.
E por fim, os livros em inglês, todos eles adquiridos com desconto:
- Empire of Storms de Sarah J. Maas, o 5º volume da série Throne of Glass;
- Bright Smoke, Cold Fire de Rosamund Hodge, um livro que mistura Romeu e Julieta e Necromantes;
- Long May She Reign de Rhiannon Thomas é uma novidade literária;
- Yellow Brick War de Danielle Paige, o 3º volume da série Dorothy Must Die, uma espécie de retelling do Feiticeiro de Oz em que Dorothy é vista como a má da fita, pelo que percebi. Ainda não li nenhum livro da série e só comprei este por estar mais barato.

Pronto pessoal, no que toca a aquisições, foi isto o meu mês de Março. E por aí, quais foram as novidades nas vossas estantes? Já leram ou querem ler algum destes livros? Contem tudo, que por aqui gostamos de saber :)
Por agora me despeço e para o próximo mês cá estarei novamente, com um novo post, para vos mostrar mais novidades. Até lá, boas leituras!


quarta-feira, 12 de abril de 2017

Peek-a Book (Rita) - Uprooted


Ficha Técnica:
Autor: Naomi Novik
Páginas: 438
Editor: Macmillan
ISBN: 9781447294139

Sinopse:
Agnieszka loves her valley home, her quiet village, the forests and the bright shining river. But the corrupted wood stands on the border, full of malevolent power, and its shadow lies over her life.

Her people rely on the cold, ambitious wizard, known only as the Dragon, to keep the wood's powers at bay. But he demands a terrible price for his help: one young woman must be handed over to serve him for ten years, a fate almost as terrible as being lost to the wood.

The next choosing is fast approaching, and Agnieszka is afraid. She knows - everyone knows - that the Dragon will take Kasia: beautiful, graceful, brave Kasia - all the things Agnieszka isn't - and her dearest friend in the world. And there is no way to save her.

But no one can predict how or why the Dragon chooses a girl. And when he comes, it is not Kasia he will take with him.

From the author of the Temeraire series comes this hugely imaginative, engrossing and vivid fantasy novel, inspired by folk and fairy tales. It is perfect reading for fans of Robin Hobb and Trudi Canavan.

Opinião:
Desde que vi este livro ser publicado que fiquei cheia de vontade de o ler. Comprei-o pouco tempo depois, mas devido às habituais contingências da vida de um leitor, foi ficando um pouco para trás e só agora, graças à Joana e a este nosso projecto do Peek-a Book, é que lhe peguei. E fico TÃO feliz por isso! Adorei profundamente este livro, a história, os personagens, as mensagens que nos transmite, tudo! Foi uma obra que me encheu as medidas por se revelar tão completa.

Posso dizer-vos, que esta foi uma daquelas vezes em que me deixei enganar pela sinopse e sem qualquer arrependimento. Fez-me imaginar um livro cuja história girasse em torno da escolha de uma rapariga em detrimento de outra por um desagradável feiticeiro e das provações que esta teria de suportar por dez anos nas suas mãos. Ora, não podia estar mais longe da verdade, pois a escolha mencionada na sinopse é apenas a ponta de um vasto iceberg.
Como pano de fundo temos um bosque danado, repleto de sinistras criaturas, uma pequena aldeia que vive na sua sombra, duas amigas inseparáveis, mas muito diferentes uma da outra, e um frio feiticeiro numa torre cuja função é proteger o reino da corrupção do bosque. Belo conjunto de ingredientes para uma história, certo?

Sou da opinião que Naomi Novik conseguiu conceber uma narrativa belíssima, bem estruturada, inteligente e acima de tudo, surpreendente. O desenrolar dos acontecimentos trouxe muitas surpresas, estava longe de imaginar o rumo que a história tomou e tudo aquilo que os personagens iriam ter de suportar.
Somos brindados com momentos de grande poder e pura magia, com passagens bem negras e violentas, com episódios da mais profunda das amizades e paixão ardente, já para não falar de coragem, fé e tenacidade. 

Os personagens, de tão bem elaborados, cativaram-me por completo. Nieshka com toda a sua magia crua, fora do convencional, força e perseverança. A sua linda amizade com Kasia, capaz de resistir aos mais duros pesadelos. Esta última, uma personagem que sofreu grandes mudanças e que ninguém diria vir a fazer tudo aquilo que se viu. Sarkan, o Dragão, um personagem que se revelou mais humano do que parecia, que foi capaz de se moldar a outras realidades. E acima de tudo, o próprio Bosque. O inimigo sem rosto, antigo como o início dos tempos, poderoso, repleto de maldade, de corrupção, ardiloso e implacável. Capaz de destruir tudo sem olhar para trás.
Adorei ver a evolução em todos eles.

No que respeita ao clímax da obra, devo dizer que achei sublime. O atribuir de um rosto e forma a um inimigo omnipotente e omnipresente, a história das árvores coração, a revelação da força motriz que desencadeou tanta obscuridade e maldade para com o Homem, e o sentimento de compaixão que esse testemunho nos imprime; e claro, o culminar de tudo: a descoberta de uma solução e o deitar mãos à obra. Perfeito, de tão bem conseguido.

Uprooted é uma obra marcante, cujos personagens e história permanecem connosco mesmo depois de arrumar o livro na estante.

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Opinião - Tigana - A Lâmina na Alma e A Voz da Vingança

Ficha Técnica:
Autor: Guy Gavriel Kay
Título Original: Tigana, #1.1 e #1.2
Páginas: 320 e 320
Editor: Saída de Emergência
ISBN: 9789896376055 e 9789896376260
Tradutor: Carlos Daniel S. Vieira e Ana Cristina Rodrigues
Adaptação: Jorge Candeias

Sinopse:
Tigana - A Lâmina na Alma
Tigana é uma obra rara e encantadora onde mito e magia se tornam reais e entram nas nossas vidas. Esta é a história de uma nação oprimida que luta para ser livre depois de cair nas mãos de conquistadores implacáveis. É a história de um povo tão amaldiçoado pelas negras feitiçarias do rei Brandin que o próprio nome da sua bela terra não pode ser lembrado ou pronunciado.
Mas anos após a devastação da sua capital, um pequeno grupo de sobreviventes, liderado pelo príncipe Alessan, inicia uma cruzada perigosa para destronar os reis despóticos que governam a Península da Palma, numa tentativa recuperar um nome banido: Tigana.
Num mundo ricamente detalhado, onde impera a violência das paixões, este épico sublime sobre um povo determinado em alcançar os seus sonhos mudou para sempre as fronteiras da fantasia.


Tigana - A Voz da Vingança
O príncipe Alessan e os seus companheiros puseram em marcha um plano perigoso para unir a Península de Palma contra os reis despóticos Brandin de Ygrath e Alberico de Barbadior, numa tentativa de recuperar Tigana, a sua terra natal amaldiçoada. Brandin é um rei maquiavélico e arrogante, mas encontrou em Dianora alguém à sua altura e está cativo da sua beleza e charme. Alberico está cada vez mais consumido pela ambição, cego a todas as ciladas em seu redor. Entretanto, o nosso grupo de heróis viaja pela Península, em busca de alianças e trunfos decisivos que podem mudar a maré da batalha a seu favor. Alessan está mais moralmente dividido que nunca, Devin já não é o rapaz ingénuo que era, Catriana apenas deseja redenção e Baerd descobre uma nova magia na Península. Conseguirá Tigana vingar a memória dos seus mortos? Ninguém consegue prever o fim nem as perdas que irão sofrer. Sacrifícios serão feitos, segredos antigos serão revelados e, para uns vencerem, outros terão forçosamente de tombar.

Opinião:
Deste autor li o ano passado Os Leões de Al-Rassan, livro esse que adorei. Assim sendo foi com grande expectativa que parti para a leitura deste Tigana, do qual já tinha ouvido falar maravilhas. Para meu grande desgosto não gostei nem de perto tanto deste livro como gostei do anterior. Posso desde já dizer que gostei muito mais da segunda metade do livro do que da primeira. Eventualmente porque durante a primeira parte nos são apresentados os personagens e a sua demanda, bem como explicado o mundo que nos é apresentado. A segunda parte tem mais acção e é aqui que realmente algo acontece, e por isso mesmo a leitura também se torna mais célere.

Gostei bastante dos personagens que nos são apresentados, todos eles bastante complexos. Nenhum é apenas bom ou mau. Os heróis cometem assassínios e outros semelhantes sem qualquer escrúpulos de modo a conseguirem atingir os seus objectivos. Já supostamente um dos vilões é alguém capaz do amor mais profundo que se poderia imaginar numa pessoa. Assim sendo é difícil não sentir-mos empatia por Brandin, ao mesmo tempo que nos sentimos algo revoltados com as atitudes de Alessan e Baerd. A única personagem que sem dúvidas é mesmo odiosa e sem nada de bom é Alberico. O homenzinho era mesmo asqueroso, com toda a sua ganância e necessidade de poder.

O mundo onde se passa a acção está bastante bem construído e fundamentado. Tem as suas próprias lendas e ritos e tudo se encaixa perfeitamente. Gostei bastante de ir descobrindo aos poucos as várias características dos territórios de Palma, bem como o tipo de pessoas que a habitam.

Contudo a mais valia da história é sem dúvida os seus personagens. Não existe um únicos que não tenha vários tons de cinzento, que lute com os seus demónios e as suas escolhas, que combata todos os dias com aquilo que a razão e o coração lhe dizem. A personagem mais notória neste aspecto é sem dúvida Dianora, que por um lado quer libertar Tigana, mas por outro descobriu em Brandin um homem extremamente inteligente e carinhoso por quem acaba por se apaixonar. Deve ser algo terrível, os sentimentos com que Dianora lida a todos os momentos...

Infelizmente, o desenrolar da história teve pontos menos bons. Principalmente o clímax, que achei ter sido alcançado de repente e ser resolvido ainda mais rapidamente. Gostaria de algo mais trabalhado e com mais suspense.Algo mais demorado a realizar, tal como a demanda a que Alessan se sujeitou. Por fim não posso deixar de falar do final. A sério? Era preciso mais desgraça? Depois de tudo o que aconteceu o autor tinha mesmo que colocar aquele final? Acho que era desnecessário depois de toda a tristeza que já existia. Já havia um final agridoce, não era preciso mais tragédia.

Assim sendo foi um livro que se por um lado me satisfez, por outro me deixou algo desiludida.

quinta-feira, 6 de abril de 2017

Mini-Opinião - Seduced by a Pirate

Ficha Técnica:
Autor: Eloisa James
Série: Fairy Tales, #4.5
Páginas: 128
Editor: Avon
ASIN: B0092QKWVU

Sinopse:
In Eloisa James's companion story to The Ugly Duchess, Sir Griffin Barry, captain of the infamous pirate ship The Poppy, is back in England to claim the wife he hasn't seen since their wedding day . . . but this is one treasure that will not be so easy to capture.

Opinião:
Nesta novela ficamos a conhecer a história do Griffin. Este é primo do James, e encontram-se novamente quando o James está a ser atacado por um navio pirata que pertence, nem mais nem menos, ao Griffin. Achei extremamente engraçado o facto de que o Griffin ter tanto medo de voltar para casa por causa do que aconteceu na sua noite de núpcias e por detestar títulos e ter uma relação atribulada com o pai por causa disso. 

No final aquilo que ele esperava acabou por não ser aquilo que aconteceu. Às vezes fugimos a vida inteira de determinados cenários que imaginamos e depois quando as coisas acontecem tudo aquilo que temíamos não passa de falta de crença em nós mesmos. Basicamente foi isso que aconteceu nesta novela. Gostei bastante da atitude dominadora do Griffin e ainda mais da maneira como a Phoebe se tentar comportar ao pé dele. Tenta sendo a palavra chave, porque por mais que ela tente ser civilizada a verdade é que está sempre a fazer-lhe frente e a dizer que não.

Uma vez mais não gostei de toda a situação de a parte masculina ter ido para a cama com outras mulheres e isso ter sido ultrapassado rapidamente com explicações no mínimo desenxabidas. Em contra partida adorei o mal entendido com o Flying Poppy e as crianças. Sem dúvida que as crianças foram algo de admirável, principalmente o rapazinho mais velho. Foi interessante ver como o Griffin se comportava com elas, sendo filhas apenas da Phoebe. Apesar de tudo este não quis abrir mão delas e a sua única intenção era protegê-las o que sem dúvida é louvável.

Acredito que a história teria beneficiado se fosse ligeiramente maior, mas não se pode pedir tudo. Acho que serviu o seu propósito e espero sinceramente que o próximo livro não tenha os mesmo pontos negativos que encontrei no anterior e nesta novela.

sábado, 1 de abril de 2017

Opinião - Mors Tua, Vita Mea: A tua morte, a minha vida

Ficha Técnica:
Autor: Vanessa Santos
Páginas: 540
Editor: Chiado
ISBN: 9789895130771

Sinopse:
Sou a Sara, e estou agoniada, desesperada, com suores frios, o mundo ganhou profundidade, está calor, não, é frio, estou tonta. Tirem-me daqui, por favor.
É assim que se inicia o relato de Sara, a rapariga mais comum da cidade de Leiria. É-lhe transmitido pelo seu chefe um segredo de família que lhes trará dificuldades e mudanças.
Em pouco tempo, Sara verá a sua vida dar uma volta de 180º, viverá momentos de pânico, medo e de pura paixão.
Trata-se de um relato divertido, que descreve o desenrolar da trama de uma forma leve, dando a conhecer o ponto de vista de uma jovem na casa dos vinte anos e no auge da sua imaginação, descrevendo as cenas que vive com à vontade e humor.

Opinião:
O ano passado fui contactada pela Vanessa que me perguntou se gostaria de ler o seu livro para posteriormente lhe dar a minha opinião. Infelizmente colocaram-se outras coisas pelo meio e só agora tive oportunidade de ler o seu livro.

Houve pontos positivos e pontos negativos acerca do livro. A maior parte dos pontos negativos têm sem dúvida a ver com a fraca ou inexistente revisão do livro. Se isso me incomodou? Sem dúvida. Contudo tentei ter uma mente aberta e ignorar a quantidade astronómica de gralhas. Tentei focar-me essencialmente nas história em si, nas personagens e afins.

Sem dúvida que o pior foi mesmo a revisão. O facto de não ter existido uma revisão prejudicou o livro em vários sentidos. O mais óbvio é sem dúvida o facto de existirem milhentas gralhas ao longo de todo o livro. Palavras mal escritas, acentos ao contrário ou inexistência dos mesmos. Frases com construções estranhas, enfim. Aquelas coisas que fazem com que o leitor muitas vezes desista de um livro. Contudo chegou a um momento em que acabei por me conseguir abstrair desses erros, eventualmente porque o meu cérebro ficou tão habituado que deixou de ligar àquilo que via.

Outros aspectos em que a revisão teria ajudado foi nas construção e organização da história. O primeiro capítulo tem cerca de 250 páginas, o que é impensável em qualquer história. Detectei ali vários sítios onde a autora poderia ter quebrado a narrativa para terminar e iniciar outro capítulo, mas não o fez. Para mim a extensão capítulo irritou-me solenemente visto que gosto de ler livros por capítulos. É mais fácil para me focar  na história, ajuda-me a avançar na leitura e mais uns quantos benefícios. Tendo em conta que este capítulo é enorme muitas das vezes fazia-me sentir que não saía do mesmo sítio. Ao mesmo tempo a Sara é uma personagem que gosta bastante de divagar e de nos contar histórias do seu passado. Por um lado gostei bastante destes momentos porque nos mostram melhor que tipo de pessoa ela é, mas por outro podem tornar-se algo aborrecidos em demasia. Estes dois aspectos aliados poderiam ter levado a que me sentisse extremamente aborrecida durante a primeira metade do livro. A verdade é que isso não aconteceu. A Sara é uma personagem bastante cativante e interessante, cheia de genica e desenrascada apesar de completamente desastrada. Foi essencialmente a sua personalidade que salvou o livro, bem como a história que até é interessante.

A escrita da autora em si também é agradável. Os diálogos entre personagens estão bem construídos, sem bem que tive alguns problemas ali com uns sms trocados, achei a troca lamechas de mais e detesto coisas lamechas sem necessidade. Quanto ao final da primeira parte, porque sim, o livro está dividido em duas partes com dois prólogos e afins o que não faz muito sentido, achei-o apressado. Sinceramente parecia que a Sara estava a ter uma alucinação porque foi tudo fácil e rápido de mais no final. Não parecia real. Juro que pensava que havia ali marosca qualquer dos maus. Mas não. As coisas ficaram mesmo resolvidas. Fiquei com um ar um bocadinho WTF?, mas pronto. Mais uma vez aqui penso que o problema foi mais pela falta de revisão. visto que não há muito a fazer quanto à inexperiência da autora.

Quanto à segunda parte do livro, bem... Antes de mais é um bocado idiota ter parte um e parte dois, até porque dá para perceber perfeitamente que era suposto serem dois livros em separado. E a realidade é que o leitor é apanhado de surpresa porque em lado nenhum é dado a entender que o livro é uma espécie de compilação. Enfim, mais uma vez terá sido um mau trabalho da editora que não se deu ao trabalho de guiar a autora. Não gostei tanto da segunda metade do livro como da primeira. Achei a história mais sóbria, principalmente porque o Cláudio é também mais sério. Contudo até mesmo nas partes em que a história é contada pelo ponto de vista da Sara achei que lhe faltava personalidade. Penso que se perdeu um pouco da essência da personagem entre a primeira e a segunda parte. Existe também mais pontos de vista nesta segunda parte do que na primeira. Se bem que dá outra dimensão à história, a verdade é que está pouco clara a passagem de uma personagem para a outra. Poderia haver ali uma sinalização qualquer de modo a que rapidamente o leitor conseguisse identificar a alteração. Não gosto muito de estar a ler e não estar a perceber muito bem o que estou a ler porque o meu cérebro ainda se está a aperceber que estou a ler a história de outro ponto de vista...

Mais uma vez não gostei muito do final, exactamente pelo mesmo motivo que anteriormente. Achei-o muito apressado e resolvido facilmente em vez de ser uma coisa com pés em cabeça.

Apesar de parecer que essencialmente só encontrei pontos negativos, a verdade é que até gostei do livro, mais do que aquilo que esperava. Acho que simplesmente é mais fácil falar daquilo que não gosto do que do que gosto. De uma maneira geral gostei bastante de Sara, a autora soube construir uma personagem interessante, se bem que perdeu um pouco o seu brio na segunda parte do livro. O mistério da história em si também é interessante, se bem que na segunda parte não é explicado o porquê de um dos vilões andar a perseguir Sara. E acho que esse esclarecimento era bastante importante. Gostei da escrita da autora e fiquei surpreendida com os diálogos, sou sincera quando digo que normalmente estou sempre à espera de ter problemas com os mesmos. Resumindo, acho que a Vanessa é uma autora com potencial, mas que infelizmente fez uma má escolha com a editora e que ficou a perder muito com isso. Espero que caso venha a publicar novo livro tenha mais sorte.