domingo, 18 de junho de 2017

Opinião - Things We Know by Heart

Ficha Técnica:
Autor: Jessi Kirby
Páginas: 304
Editor: HarperTeen
ASIN: 0062299433

Sinopse:
When Quinn Sullivan meets the recipient of her boyfriend’s donated heart, the two form an unexpected connection.

After Quinn loses her boyfriend, Trent, in an accident their junior year, she reaches out to the recipients of his donated organs in hopes of picking up the pieces of her now-unrecognizable life. She hears back from some of them, but the person who received Trent’s heart has remained silent. The essence of a person, she has always believed, is in the heart. If she finds Trent’s, then maybe she can have peace once and for all.

Risking everything in order to finally lay her memories to rest, Quinn goes outside the system to track down nineteen-year-old Colton Thomas—a guy whose life has been forever changed by this priceless gift. But what starts as an accidental run-in quickly develops into more, sparking an undeniable attraction. She doesn't want to give in to it—especially since he has no idea how they're connected—but their time together has made Quinn feel alive again. No matter how hard she’s falling for Colton, each beat of his heart reminds her of all she’s lost…and all that remains at stake.

Opinião:
Se este livro poderia ser um completo clichê? Sim podia. O que o salva é a maneira como a autora conta a história. Este livro conta-nos a história de Quinn, alguém que perdeu o namorado devido a um acidente e cujos órgãos foram doados. Quinn acaba por conhecer praticamente todos os receptores de órgãos, excepto a pessoa que recebeu o coração do seu namorado. E é quando ela finalmente decide conhecê-lo que a história começa.

Basicamente Quinn acha que vendo esta pessoa será capaz de ultrapassar o passado e começar a viver novamente. Contudo as coisas nunca correm exactamente como esperamos, e o que era suposto ser uma visita sem interacções acaba por se tornar em algo mais.

Se por um lado é óbvio o final da história e isso poderia retirar todo o prazer da leitura, a verdade é que a autora faz um bom trabalho até chegarmos a esse final óbvio. O mais cativante e intrigante do livro é o crescimento e desenvolvimento da Quinn. Como reaprende a viver aos poucos, como lida com a dor da perda e com os momentos em que de repente lhe parece cair tudo em cima. Como lida com a culpa de estar a seguir com a sua vida em frente quando acha que deveria ainda estar a fazer o luto pelo seu namorado.

Claro que o Colton também é interessante. A sua maneira de viver cada dia como se fosse o último, a satisfação que tira de estar vivo e as pequenas pérolas de sabedoria que vai largando durante a narrativa e que foram adquiridas devido a tudo aquilo porque passou tornam-no numa personagem de que é difícil não gostar e acarinhar.

A família da Quinn tem também um papel importante na narrativa, e adorei conhecer, principalmente, a sua irmã e a sua avó. Não haja dúvida que são duas personagens cheias de vida e de força, que carregam em si alguma tristeza, mas que não deixam que a mesma as pare. São pessoas que preferem enfrentar os problemas de cabeça do que deixar-se domar por eles.

A única coisa que me desagradou um pouco no livro é o facto de nunca ter sido colocado em questão o facto de ela se estar a apaixonar pelo rapaz que tem o coração de namorado. Será que ela se apaixona realmente por ele ou que se apaixona pela ideia de ele ter o coração do namorado? Esta questão não é colocada uma única vez durante todo o livro, nem por ela, nem por ele. E a verdade é que no final fiquei com essa dúvida. Não sei se a autora não a abordou com receio que pudesse dar trapalhada ou porque na cabeça dela não havia dúvidas sobre os sentimentos da Quinn. A verdade é que na minha cabeça fiquei um pouco na dúvida e gostava que esta tivesse sido esclarecida através de algum momento de reflexão ou algo semelhante.

Em suma, foi uma leitura agradável. Tenciono ler algo mais da autora.


segunda-feira, 12 de junho de 2017

Opinião - A Rainha dos Malditos Vol I e II

Ficha Técnica:
Autor: Anne Rice
Título Original: The Queen of the Damned
Série: The Vampire Chronicles #3
Páginas: 272 e 260
Editor: Europa-América
ISBN: 9721041653 e 9721041688
Tradutor: Clarisse Tavares

Sinopse:
A Rainha dos Malditos Vol I:
A continuação de Entrevista com o Vampiro e O Vampiro Lestat.

A viagem de Lestat até uma caverna numa ilha grega desperta Akasha, rainha dos malditos e mãe de todos os vampiros, do seu sono de seis mil anos. Desperta e sedenta de sangue, Akasha traça o seu maléfico plano para dominar o mundo dos vivos.
Num concerto em São Francisco, Lestat ignora que entre os fãs há centenas de vampiros dispostos a destruí-lo por ter revelado a condição dos seus semelhantes.
Um misterioso sonho é partilhado por um grupo de homens e vampiros. Quando todos se aproximam, o sonho torna-se mais claro e tudo aponta para uma tragédia indescritível.

Anne Rice é a autora consagrada de vários best-sellers na área da literatura de fantasia e gótica. Entre êxitos como A Rainha dos Malditos e A Hora das Bruxas, alcançou a notoriedade com Entrevista com o Vampiro, um clássico que redefiniu a literatura de vampiros e foi adaptado ao cinema por Neil Jordan.


A Rainha dos Malditos Vol II:
O segundo volume d’ A Rainha dos Malditos, a continuação de Entrevista com o Vampiro e d’ O Vampiro Lestat.

Após ter despertado Akasha, a mãe de todos os vampiros, do seu sono de seis mil anos, Lestat ignora que corre perigo e que, num concerto em São Francisco, há entre os fãs centenas de vampiros dispostos a destruí-lo por ele ter revelado a condição dos seus semelhantes. Um misterioso sonho é partilhado por um grupo de homens e vampiros. Quando todos se aproximam, o sonho torna-se mais claro e tudo aponta para uma tragédia indescritível.

Opinião:
Quando li Entrevista com o Vampiro, não fiquei fã da autora ou da sua escrita. Entretanto decidi ler O Vampiro Lestat e senti que afinal a autora tinha criado personagens extremamente complexas, com uma maneira de ver o mundo de uma forma bastante peculiar. Personagens que tinham passado por bastante tendo em conta o tempo de vida que têm e que por isso as suas histórias eram fascinantes. A Rainha dos Malditos não é diferente. Ao longo destes livros ficamos a conhecer mais da história de Akasha e do modo como se tornou o primeiro vampiro. Já tínhamos uma ideia do que tinha acontecido, mas apenas uma ideia geral.

Neste livro ficamos a conhecer exactamente os acontecimentos que levaram a esta transformação, e esses acontecimentos são-nos transmitidos através do aparecimento de dois novos personagens, Maharet e Khayman. O primeiro volume conta essencialmente os dias que antecedem o concerto de Lestat através da perspectiva de vários personagens diferentes. A segunda parte conta o que acontece depois de Akasha se apoderar de Lestat. Sem dúvida que a parte mais interessante é a segunda, mas a primeira faz um bom trabalho em criar suspense no leitor enquanto este tenta perceber o que está a acontecer e quais são os objectivos de Akasha.

Sem dúvida que foi bastante interessante perceber a origem dos vampiros e como é que tudo aconteceu, mas o mais interessante continua a ser os dilemas dos personagens. As suas dúvidas e receios, a sua necessidade de manter uma parte de si mesmos humanos. As lutas interiores constantes sobre aquilo que são e aquilo que querem para eles próprios. Sem dúvida que os personagens mais cativantes a nível intelectual e emocional são Lestat e a própria Akasha. Akasha pela maneira como se comporta, pela sua necessidade em arranjar justificações para os seus actos corrosivos. Pela sua necessidade em ser adorada e achar que pode controlar tudo e todos e que este é o seu dever, arranjando justificações a torto e a direito só para que sinta que aquilo que está a fazer é correcto. É triste e doentio ver como uma pessoa com tanto poder e que poderia fazer o bem se deixa levar pela sua necessidade de sangue e violência.

Já Lestat encontra-se durante todo o livro num grande dilema. Por um lado conseguiu aquilo que porque sonhava, acordar Akasha e ter uma relação com esta. Tudo isso traz-lhe imensa felicidade e fá-lo sentir-se em êxtase. Contudo os objectivos de Akasha começam a destruí-lo por dentro, começam a arruinar o vampiro que é, levando a que se comece a perder nas suas convicções. Como é possível gostar tanto de alguém, não a querer abandonar, ter uma necessidade premente de estar com ela e ao mesmo tempo ver o mal que ela é, sentir que está a abandonar tudo aquilo que é e não conseguir fazer nada para o impedir? Adorei ler as lutas interiores de Lestat. 

Contudo todos os outros personagens também têm muito para dar. Todos eles são bastante complexos, e adoro as suas complexidades. Se há algo que adoro ver é a maneira como se amam uns ou outros independentemente do sexo, tendo em conta apenas aquilo que são interiormente. E o final. O final foi fascinante pela sua brutalidade e pela maneira como as coisas se resolvem. Estou curiosa para pegar no próximo livro. Tentar perceber as consequências que os acontecimentos deste livro têm no futuro dos personagens, e tentar perceber quais os sarilhos em que Lestat se vai meter da próxima vez.

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Opinião - Under The Lights

Ficha Técnica:
Autor: Abbi Glines
Série: The Field Party, #2
Páginas: 320
Editor: Simon & Schuster
ASIN: B013PJVKCO

Sinopse:
In the follow-up to Abbi Glines’s #1 New York Times bestseller Until Friday Night—three teens from a small southern town are stuck in a dramatic love triangle.

Willa can’t erase the bad decisions of her past that led her down the path she’s on now. But she can fight for forgiveness from her family. And she can protect herself by refusing to let anyone else get close to her.

High school quarterback and town golden boy Brady used to be the best of friends with Willa—she even had a crush on him when they were kids. But that’s all changed now: her life choices have made her a different person from the girl he used to know.

Gunner used to be friends with Willa and Brady, too. He too is larger than life and a high school football star—not to mention that his family basically owns the town of Lawton. He loves his life, and doesn’t care about anyone except himself. But Willa is the exception—and he understands the girl she’s become in a way no one else can.

As secrets come to light and hearts are broken, these former childhood friends must face the truth about growing up and falling in love…even if it means losing each other forever.

Opinião:
Estava um pouco reticente em ler este livro porque desde o início dá perfeitamente para perceber que vai ter um triângulo amoroso e eu não sou nada fã de triângulos amorosos. Na maior parte das vezes estes dão-me vontade de bater em alguém. Contudo até considero que desta vez não foi muito mau. A verdade é que a maior parte dos personagens passa metade do tempo a debater-se com os seus sentimentos, e se é certo ou errado. A protagonista não passa o tempo a pensar qual dos dois há-de escolher e a pensar como é possível gostar de duas pessoas ao mesmo tempo. O que me ajudou a não ter vontade de atirar com o kindle à parede.

Se bem que gostei mais do primeiro livro da série que do segundo, não posso deixar de admitir que também gostei deste segundo e que é uma boa leitura para passar o tempo e espairecer. A protagonista é completamente nova, pelo menos não me lembro de menções a ela no livro anterior, e os dois protagonistas masculinos já conhecemos. Um deles é o primo da Maggie, Brady, e o outro é o Gunner, um dos colegas de Brady e o seu melhor amigo.

É fácil de prever que vai existir ali alguma tensão entre o Gunner e o Brady, melhores amigos que gostam da mesma rapariga nunca funciona bem, mas também não é propriamente uma tragédia e não há grandes cenas daquelas que dão vontade de ficar agoniada. A Willa é uma personagem interessante, que ao fim de alguns anos voltou para viver com a sua avó após ter passado meses num centro de correcção devido a um erro que cometeu. Erro esse pelo qual ainda hoje se culpa. Tudo isto mudou Willa, e enquanto um dos personagens tenta recuperar a Willa que existia, o outro aceita a Willa actual e tentar ajudá-la a ultrapassar os seus problemas. E atenção que tentar recuperar a antiga Willa não é algo mau, visto que para tentar recuperar uma parte de nós é preciso ultrapassar o que nos faz mal. Mas é a maneira ou a intenção que damos à coisa que pode ser certa ou a errada.

Além de que, como diz o Brady a certa altura, como é que é possível ajudar-mos e perceber alguém se nunca tivemos nenhum problema, se não nunca conhecemos tristeza extrema. Não é fácil perceber ou colocarmo-nos no lugar de alguém. Apesar de dizer-mos que compreendemos e de querer ajudar, a verdade é que na realidade não compreendemos porque não passamos pela mesma coisa nem por algo semelhante.

Quanto ao Gunner, a usa história também é triste, não a achei tão life changing como a da Willa, mas não deixa de criar cicatrizes a maneira como sempre foi tratado pelas pessoas que o deviam amar. A maior parte dos momentos mais emocionais são em seguimento ao Gunner e à sua interacção com a sua família. Conforme a história se vai desenrolando, novas informações vão sendo reveladas, que nos mostram o porquê de o Gunner sempre ter sido tratado de determinada maneira. Se bem que acho que a autora foi um pouco mais à frente do que devia, rasando o exagero relativamente à complexidade e reviravoltas da história do Gunner. Mas pronto, consigo ultrapassar isso.

Assim sendo, a Willa tem tendência para se afastar de toda a gente porque não quer ser responsável por magoar mais ninguém ou a si mesma. O Gunner é um bocadinho parvalhão pois não tem outra maneira de lidar com aquilo que passa em casa, tornando-se um imbecil excepto quando está com a Willa, e o Brady luta consigo mesmo, pelas escolhas que fez e que não fez mas devia ter feito.

Um livro que é aquilo que se espera dele. Personagens minimamente interessantes, com uma história de fácil leitura e que entretem sem fazer o leitor pensar por aí além. Contudo este livro em específico deixou-me curiosa e entusiasmada para o próximo visto que vai ser com uma das personagens secundárias femininas que ficámos a conhecer neste livro e que parece ter um passado bem sórdido, além de ser odiada por quase toda a gente, incluindo os personagens que já conhecemos.

domingo, 28 de maio de 2017

Opinião - Kingdom of Shadows

Ficha Técnica:
Autor: Barbara Erskine
Páginas: 772
Editor: Warner Books
ISBN: 0747401306

Sinopse:
In a childless and unhappy marriage, Clare Royland is rich and beautiful - but lonely. And fueling her feelings of isolation is a strange, growing fascination with an ancestress from the distant past. Troubled by haunting inexplicable dreams that terrify - but also powerfully compel - her, Clare is forced to look back through the centuries for answers.

In 1306, Scotland is at war. Isobel, Countess of Buchan, faces fear and the prospect of untimely death as the fighting surrounds her. But passionate and headstrong, her trials escalate when she is persecuted for her part in crowning Robert the Bruce, her lover.

Duncairn, Isobel's home and Clare's beloved heritage, becomes a battleground for passions that span the centuries. As husband Paul's recklessness threatens their security, Clare must fight to save Duncairn, and to save herself from the powers of Isobel...

Opinião:
Os livros desta autora acabam por ser bastante semelhantes na sua concepção. Essencialmente o que muda é a história a contar, mas a maneira como essa história é contada acaba por ser praticamente a mesma. Neste caso a personagem principal é como que assombrada por uma sua antepassada.

A personagem principal é Clare, uma rapariga que desde cedo percebermos guardar em si uma solidão extrema, solidão essa que a mesma contraria invocando imagens da sua antepassada Isobel. O problema começa a aparecer quando Clare começa a deixar de ter controlo sobre as suas invocações, conseguidas através da meditação, e estas se começam a dar sem que a mesma as tenhas chamado. Ao longo da narrativa vamos então acompanhando a vida de Clare, e a sua tentativa em encontrar um significado para a sua vida bem como para as visões que tem. Ao mesmo tempo vamos ficando a conhecer as tribulações de Isobel. Ambas são dignas de respeito e compaixão, pois na realidade nenhuma delas trilha um caminho fácil de percorrer.

No caso de Clare este caminho mostra-se bastante conturbado essencialmente por causa do seu marido, Paul. Paul é uma pessoa bastante controladora e que não vê a meios para atingir os seus objectivos. Desde o início que faz de tudo para controlar a herança de Clare, levando os outros a acreditar que Clare está completamente louca quando na realidade é ele que cada vez mais se começa a desligar da realidade. Foi assustador ver como a mente de Paul se foi degradando ao longo da narrativa e as artimanhas que este usava para controlar todas as pessoas à sua volta.

Existem outros personagens que vão aparecendo, principalmente os parentes de Paul, mas não os acho propriamente dignos de relevância. Na maior parte das vezes mostram ser tão implacáveis como o seu irmão ou limitam-se a ver a realidade apenas como lhes convém em vez de tentar perceber e ajudar realmente Clare.

Apesar de o livro ser bastante semelhante a outros que já li da autora, a realidade é que até gostei bastante da história e de como esta foi contada. Essencialmente por causa do percurso de Clare. Confesso que às vezes senti que a autora procrastinava um pouco o que não me permitiu gostar tanto do livro como poderia. Contudo foi uma leitura agradável e bastante rápida tendo em conta a dimensão do livro.

domingo, 21 de maio de 2017

Opinião - Until Friday Night

Ficha Técnica:
Autor: Abbi Glines
Série: The Field Party, #1
Páginas: 336
Editor: Simon Pulse
ASIN: B00TBKUXQQ

Sinopse:
To everyone who knows him, West Ashby has always been that guy: the cocky, popular, way-too-handsome-for-his-own-good football god who led Lawton High to the state championships. But while West may be Big Man on Campus on the outside, on the inside he’s battling the grief that comes with watching his father slowly die of cancer.

Two years ago, Maggie Carleton’s life fell apart when her father murdered her mother. And after she told the police what happened, she stopped speaking and hasn’t spoken since. Even the move to Lawton, Alabama, couldn’t draw Maggie back out. So she stayed quiet, keeping her sorrow and her fractured heart hidden away.

As West’s pain becomes too much to handle, he knows he needs to talk to someone about his father—so in the dark shadows of a post-game party, he opens up to the one girl who he knows won’t tell anyone else.

West expected that talking about his dad would bring some relief, or at least a flood of emotions he couldn’t control. But he never expected the quiet new girl to reply, to reveal a pain even deeper than his own—or for them to form a connection so strong that he couldn’t ever let her go…

Opinião:
Já não me lembro bem porquê, mas há algum tempo atrás inscrevi-me numa comunidade chamada Riveted. Nesta comunidade temos semanalmente alguns livros disponíveis para ler na integra, além de passatempos, e outros que mais. Mas atenção, os livros sobre os quais esta comunidade assenta são essencialmente YA. Há uns tempos andava eu a dar uma vista de olhos e deparei-me com este livro. Que achei interessante devido à peculiaridade da personagem principal feminina.

A autora eu já conhecia, pelo menos de ouvir falar, visto que já teve um seu livro editado em Portugal. Contudo nunca me tinha chamado propriamente a atenção até ter lido a sinopse de Until Friday Night.

Maggie passou por algo extremamente traumatizante à relativamente pouco tempo. Porque quando algo nos toca profundamente 2 anos é muito pouco tempo. Aquando do início da história ela acabou de se mudar para Lawton, para casa dos seu tios e do seu primo de modo a tentar recuperar e sarar. Contudo Maggie é uma pessoa peculiar. Desde o momento em que contou à polícia o crime a que assistiu nunca mais falou com ninguém. Esta foi a maneira que arranjou de se proteger e sarar. Contudo, isso acaba por mudar quando conhece West. Este está a passar por um momento particularmente difícil e angustiante na sua vida. E Maggie vê nele a mesma tristeza que vê nos seus olhos e sente uma grande necessidade de ajudá-lo. Assim sendo começa a falar aos poucos com ele, revelando-lhe os seus segredos, ao mesmo tempo que West começa a revelar que tipo de pessoa realmente é.

De uma maneira geral gostei bastante do livro. Gostei da maneira como a autora nos apresenta os personagens e a maneira como vivem a sua vida. Gostei do caminho que a autora trilhou para eles e de como eles seguiram esse caminho, com mais ou menos tropeções, mas sempre a tentar melhorar. As suas dúvidas e receios também são fáceis de compreender. Afinal West é a única pessoa com quem Maggie fala, logo West tem medo que Maggie deixe de precisar dele quando começar a falar com outras pessoas e Maggie tem receio que West deixe de a achar interessante quando ela deixar de ser peculiar. É um bocado totó, mas ao mesmo tempo não é difícil de imaginar que este tipo de dúvidas pudessem surgir. O romance dos dois personagens vai-se desenvolvendo aos poucos, não é imediato nem apressado e agradeço à autora por isso.

Não posso deixar de referir os amigos e a família de Maggie e West. Maggie é completamente adorada pelos seus tios, e só no final é que ela realmente percebe o quão é amada quando percebe que os tios realmente a aceitam como é. Já com o seu primo a relação inicial não é muito famosa, mas afinal de contas a Maggie veio roubar o espaço que era dele, e ainda por cima ele era constantemente obrigado a tomar conta dela. Acredito que essa não seja de todo a melhor maneira de se começar uma amizade. Mas a verdade é que ele gosta realmente dela, e preocupa-se realmente com ela. E é adorável ver os momentos mais emotivos.

Quanto à família de West, é fácil perceber o amor que os une, e o quanto a fase porque estão a passar os está a destruir. É fácil perceber que as coisas nunca mais serão as mesmas e isso dói. Contudo os amigos de West estão lá para ele, constantemente a apoiá-lo e a ajudá-lo a seguir em frente. Sem dúvida que todos eles são um grupo bastante unido.

A única coisa que eventualmente me deixou um pouco desiludida, foi o modo como a autora pintou o quadro sobre o facto de a Maggie ser de certo modo muda. Consigo aceitar as suas explicações, mas acho que poderiam ter sido explicações mais emotivas, mais sentidas, que fizessem o leitor viver mais o seu estado de espírito e os seus receios. Achei que sempre que ela falava e abordava o porquê de ter decidido não falar e ter tanto medo de o fazer o fazia de forma algo desapegada.

De qualquer modo estou curiosa para ler o próximo livro e saber a história dos próximos personagens. Até porque existem alguns mistérios por revelar nos próximos livros.