sábado, 3 de dezembro de 2016

Opinião - Anti-Stepbrother

Ficha Técnica:
Autor: Tijan
Páginas: 321
ASIN: B01KSW4QJA

Sinopse:
He told me to settle.
He asked what was wrong with me.
He called me an easy target.
That was within minutes when I first met Caden Banks.
I labeled him an *sshole, but he was more than that. Arrogant. Smug. Alpha.

He was also to-die-for gorgeous, and my stepbrother’s fraternity brother.

Okay, yes I was a little naive, a tad bit socially awkward, and the smallest amount of stalker-ish, but if Caden Banks thought he could tell me what to do, he had another thing coming.

I came to college with daydreams about being with my stepbrother, but what if I fell for the anti-stepbrother instead?

Opinião:
Este livro veio-me parar às mãos do nada. Vi o título e senti-me bastante curiosa, assim sendo decidi pegar nele porque me estava mesmo a apetecer um livro deste género.

Adorei tanto a personalidade da Summer como a do Caden. A maneira como a sua amizade se inicia é um bocadinho cliché, mas não pareceu forçada. Possivelmente porque apesar de ele se portar como um idiota dá para perceber que no fundo ele é um rapaz com princípios, leal e que sensível. A autora fez também um bom trabalho com as construção da relação dos personagens. Começa por ser algo pontual e aos poucos vai crescendo, passando a ser uma amizade bastante forte em que ambos se compreendem perfeitamente e estão lá um para o outro sem qualquer tipo de holding back. E apesar de existir bastante tensão sexual a verdade é que ambos estão contentes com a relação que têm e tiram bastante partido dela, sem qualquer tipo de ressentimento. Claro que quando finalmente sedem à tensão a coisa pega fogo, mas foi uma coisa natural e nada forçada.

De qualquer modo das coisas que mais me cativaram foi mesmo as personalidades destes dois personagens. A Summer ao início é bastante insegura, quer permanecer no anonimato e as suas capacidades sociais são bastante dúbias. Com a ajuda do Caden e de mais uns quantos personagens a Summer acaba por se tornar uma pessoa mais confiante, capaz e continuar com capacidades sociais um bocado estranhas. Digo isto porque a Summer tem um tipo de humor muito específico que a maior parte das pessoas não compreende, o que leva a que seja um pouco awkward socialmente. Em contrapartida eu adorei o seu humor e a maneira como arranjar sempre qualquer coisa para dizer, mas como sabe também quando ficar calada e transmitir aquele apoio silencioso que por vezes é tão precioso.

Quanto ao Caden, ele é bastante reservado e não faz nada de propósito para chamar a atenção. Mas a realidade é que toda a gente o admira e olha para ele à procura do que fazer. Foi engraçado ver como ele e a Summer se complementam tão bem apesar de terem personalidades que parecem ser tão diferentes. Não posso deixar de falar no Marcus, o irmão do Caden, que ao início dá vontade de lhe dar dois pares de estalos por ser tão parvinho, mas que acaba por se mostrar uma pessoa em condições. Ou então no Diego, super divertido e com um coração enorme, uma pessoas que toma conta dos seus e que aceita cada cada um como ele é. E o Colton, uma pessoa com problemas, mas com uma força enorme, sempre a tentar ficar melhor e ser melhor. O Kevin não devia sequer merecer uma referência, mas para o final ele lá se tenta redimir e por isso leva uns pontinhos.

O engraçado acerca deste livro é que não existiu um grande segredo, ou um passado obscuro que tenha vindo prejudicar a relação dos dois personagens. Também não temos propriamente aquela situação em que uma das personagens se retrai devido a algo que a tenha marcado no passado. Existe um segredo, é verdade, mas ele não leva a que surjam problemas entre o casal, pelo contrário, torna a sua relação mais forte. Existe realmente uma altura em que os personagens se vêm obrigados a manter alguma distância um do outro, mas isso acontece não porque se tenham magoado um ao outro, mas sim porque há uma necessidade e aceitação de ambas as partes de que existem determinadas situações que precisam de ser digeridas para que possam ter uma relação saudável.

A única coisa que não gostei muito foi do facto de serem descritos determinados comportamentos característicos das fraternidades que a mim não me disseram nada e ainda me deixaram confusa. A autora poderia ter explicado o sentido daquilo que estava a descrever para os leigos não se sentirem tão parvinhos. Enfim....

Um bom livro que cumpre aquilo que promete. Fiquei com curiosidade de ler mais obras desta autora.

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Opinião - As Aventuras de Tom Sawyer

Ficha Técnica:
Autor: Mark Twain
Título Original: The Adventures of Tom Sawyer
Páginas: 312
Editor: Bertrand Editora
ISBN: 9789722521581
Tradutor: Luísa Derout e Eugénio Batista de Castro

Sinopse:
Tom Sawyer, o rapazinho travesso criado por Mark Twain, tem marcado o imaginário infantil dos últimos 150 anos. Rebelde mas de bom coração, Tom é o pesadelo da sua tia Polly, com quem vive. Acompanhado pelo amigo Huckleberry Finn, um rapazinho abandonado que vive nos matos, Tom vive aventuras incríveis que nos fazem sonhar com a liberdade junto da natureza. Sob a forma de romance juvenil, As Aventuras de Tom Sawyer constitui, na realidade, uma fábula da América urbana e industrial que na época de Twain ameaçava o sonho de liberdade junto da natureza.

Opinião:
Este é um daqueles livro que deveria ter lido quando era bem mais nova. Não é que não o tenha apreciado, mas tal como muitas vezes acontece a verdade é que existem determinados aspectos da história que já não me cativam tendo em conta a minha idade e percurso enquanto leitora e que tenho a certeza que talvez à 15 anos atrás me iriam deixar encantada.

O Tom é um personagem bastante peculiar. Um rapazinho bastante traquinas e com uma imaginação bastante fértil que está constantemente a dar dores de barriga à tia Polly. O Tom está sempre a meter-se em sarilhos, mas em contra partida também é bastante bom em sair deles. É um rapaz cheio de recursos que nunca se deixa abater apesar das circunstâncias.

Esta é ainda uma história cheia de lições e de comentários irónicos pela parte do autor. Contudo muitos deles perderam a graça para mim. Isso não significa que não consiga perceber a mestria com que a história foi contada. Não é por achar que ela não se adapta a mim que deixo de saber reconhecer um bom livro.

Gostei de ficar a conhecer os amigos do Tom, principalmente o Huckleberry Finn. Tenho alguma curiosidade para saber as suas aventuras, apesar de achar que vou acabar por ficar com a mesma sensação que tenho actualmente em relação Às Aventuras de Tom Sawyer. Outro aspecto de que gostei bastante é da maneira como o autor retrata e mostra como era a vida naquela época nos sítios mais rurais. De certo modo a vida era tão mais simples e as crianças sabiam o que era realmente ser-se criança, sabiam utilizar a imaginação. Às vezes fico um pouco decepcionada quando olho à minha volta e reparo no quanto hoje em dia as coisas estão diferentes.

Acho que um dia ainda hei-de convencer a minha irmã mais nova a ler este livro para ficar com uma ideia do que ela acha e se realmente a nossa idade influência a nossa satisfação com o livro.

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Opinião - On Immunity: An Inoculation

Ficha Técnica:
Autor: Eula Biss
Páginas: 216
Editor: Graywolf Press
ASIN: B00KUY4D7W

Sinopse:
Why do we fear vaccines? A provocative examination by Eula Biss, the author of Notes from No Man’s Land, winner of the National Book Critics Circle Award

Upon becoming a new mother, Eula Biss addresses a chronic condition of fear—fear of the government, the medical establishment, and what is in your child’s air, food, mattress, medicine, and vaccines. She finds that you cannot immunize your child, or yourself, from the world.
In this bold, fascinating book, Biss investigates the metaphors and myths surrounding our conception of immunity and its implications for the individual and the social body. As she hears more and more fears about vaccines, Biss researches what they mean for her own child, her immediate community, America, and the world, both historically and in the present moment. She extends a conversation with other mothers to meditations on Voltaire’s Candide, Bram Stoker’s Dracula, Rachel Carson’s Silent Spring, Susan Sontag’s AIDS and Its Metaphors, and beyond. On Immunity is a moving account of how we are all interconnected—our bodies and our fates.

Opinião:
Este livro não era propriamente aquilo de que estava à espera. Na minha cabeça este seria um livro mais virado para o científico, escrito com termos científicos, e contaria a história da vacinação, debateria os seus prós e contras de uma maneira objectiva e racional. Contudo não foi isso que aconteceu. Não digo que não tenha gostado do livro, porque na realidade até gostei bastante. Apesar de o livro ser escrito por uma mãe com as suas próprias dúvidas e incertezas nota-se que a autora tentou ser imparcial e que se deu ao trabalho de aprofundar a história e os vários pontos de vista acerca da vacinação.

Gostei especialmente que a autora mostre ambas as frentes que se podem encontrar quando se fala de vacinação. Aquela que concorda e acha a vacinação importante e aquela que acha que a vacinação implica um intrusão no corpo o humano e acredita que a mesma leva ao despoletar de determinadas doenças. A autora fala também do que é chamada a herd imunnity e de como os nossos corpos não nos pertencem só a nós. Afinal de contas as decisões que tomamos relativas ao nosso corpo pode influenciar o que acontece aos outros. O corpo não é um sistema isolado, pensarmos que sim é estamos a ser egoístas.

A maneira como a autora aborda todas estas questões e mais algumas é em forma de ensaio, sempre com uma espécie de ensaio que remonta à sua experiência pessoal, ou através do facto de ter sido mãe, ou através do facto de o seu pai ser médico. O livro está ainda cheio de metáforas, metáforas essas que vão sendo descomplicadas. A que mais é usada é a do Drácula, o que a certa altura me irritou um pouco, mas de qualquer maneira achei interessante as comparações que a autora faz entre a maneira como as pessoas viam o Drácula e como viam as doenças. Outro ponto bastante interessante é o facto de que as pessoas têm mais tendência para duvidar daquilo que lhes é demonstrado de forma racional do que das suas próprias crenças, mesmo que estas não tenham qualquer tipo de fundamento.

Sem dúvida um dos aspectos que mais gostei neste livro foi de perceber ou a tentativa da autora de tentar perceber como é que o cérebro humano funciona quando se fala de doenças e de imunização.

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Peek-a Book (Joana) - Sensibilidade e Bom Senso




Ficha Técnica:
Autor: Jane Austen
Título Original: Sense and Sensibility
Páginas: 360
Editor: Presença
ISBN: 9789722355445
Tradutor: João Martins

Sinopse:
Sensibilidade e Bom Senso apresenta-nos os retratos subtis das irmãs Dashwood, com temperamentos contrastantes mas igualmente encantadores. Elinor é regida pelo bom senso, pela razão, e esconde cuidadosamente as suas emoções. Marianne é dominada pela paixão, pela sensibilidade, e expõe-se sem reservas aos sentimentos mais intensos. Quando ambas se apaixonam e vivem o arrebatamento e a dor do amor, compreendem que é no ponto de equilíbrio entre a sensibilidade e o bom senso que poderão encontrar a felicidade pessoal. Através deste paralelo, a autora oferece-nos uma análise poderosa da forma como a vida das mulheres era moldada na sociedade das classes média e alta na Inglaterra do século XVIII, numa comédia de costumes iluminada pela ironia e o humor.

Opinião:
Este livro foi uma autêntica guerra para ler. Durante o mês passado andei num completo slump literário, o que significa que não tinha vontade de pegar no que quer que fosse e quando conseguia pegar lia meia dúzia de páginas e desistia. Ainda por cima comecei por ler o livro em inglês e senti-me completamente perdida. Estou mais que habituada a ler em inglês, já li vários livros da Jane Austen em inglês, mas desta vez dava por mim a ter que ler três e quatro vezes a mesma passagem até a conseguir perceber e interiorizar. 

Finalmente desisti simplesmente do livro e decidi dar-me tempo para me elevar do maldito slump. Quando achei que a coisa estava a melhorar decidi optar por ler o livro na versão portuguesa e a partir daí as coisas começaram a melhorar consideravelmente. Não considero que tenha sido um dos melhores livros que li dela, mas penso que isso se deva principalmente ao meu estado de espírito. Achei que a linguagem empregue e as construções frásicas eram mais complexas que os livros anteriores que li dela. Isso, aliado ao slump levou a que perdesse interesse na história porque parecia que a mesma não fluía.

De resto, achei que a história e os personagens são do tipo a que a autora já nos habituou. No geral, e tirando o Ema, os personagens desta autora são bastante cativantes e interessantes, a história em si incorpora várias críticas à sociedade e não deixam de existir momentos hilários ao longo da narrativa.

As personagens principais, Elinor e Marianne, são completamente diferentes na sua maneira de estar na vida e na maneira como lidam com as diferentes situações. Elinor é uma pessoa recatada e que presa o intelecto acima de tudo. Alguém que não se deixa governar pelos seus sentimentos e que apresenta sempre uma fachada de decoro. Ao mesmo tempo é bastante inteligente e acha que é sua obrigação carregar todos os males dentro de si sem causar preocupações aos demais. Já Marianne é completamente o oposto. Se está feliz ri, se está triste chora. Todas as emoções são vividas ao extremo com ela, sem que esteja preocupada com ser recatada ou com o decoro. Para Marianne o mais importante são as emoções e alimenta-se delas como se não houvesse amanhã.

É então assim que observamos a diferente maneira com que estas irmãs lidam com os seus romances e as suas desventuras. Apesar de ser uma pessoa um pouco mais parecida com Marianne em certos aspectos, fui muito mais tocada pela dor de Elinor. Havia alturas em que pensava: "vai dar porcaria e é bem feita para não seres tontinha Marianne."

Não posso deixar de referir os personagens secundários, principalmente o bem disposto John Middleton, que só se sente bem rodeado de gente e a tentar ajudar os outros, e a Mrs. Jennings, que está sempre a tentar descobrir o que se passa, e sempre a coscuvilhar e a colocar hipóteses que rapidamente descarta, ao mesmo tempo que adora deixar as pessoas desconfortáveis com as suas observações. Contudo quando algo de mal realmente acontece tenta ajudar o mais que pode e preocupa-se realmente com as pessoas com quem se dá.

No geral as restantes personagens são bastante fúteis, mesquinhas, desprovidas de carácter, completamente manipuladoras ou completamente manipuladas. Não se aproveita quase ninguém daquela grande quantidade de gente. Mas o mais engraçado é que todos eles se adoram e de certo modo desdenham as irmãs Dashwood. Parece que desde sempre ser uma pessoa em condições não é um grande atractivo.

Apesar de ter gostado do livro, pensei vir a gostar mais. Existem outras obras da autora que me deixaram muito mais cativada. Contudo para quem gosta deste tipo de romances será um a não perder.

domingo, 6 de novembro de 2016

Mini-Opinião - Kindred Spirits

Ficha Técnica:
Autor: Rainbow Rowell
Páginas: 62
Editor: Macmillan Children's Books
ASIN: 1509820833

Sinopse:
‘Everybody likes everything these days. The whole world is a nerd.’
‘Are you mad because other people like Star Wars? Are you mad because people like me like Star Wars?’
‘Maybe.’

If you broke Elena’s heart, Star Wars would spill out. So when she decides to queue outside her local cinema to see the new movie, she’s expecting a celebration with crowds of people who love Han, Luke and Leia just as much as she does.

What she’s not expecting is to be last in a line of only three people; to have to pee into a collectible Star Wars soda cup behind a dumpster or to meet that unlikely someone who just might truly understand the way she feels.

Kindred Spirits is an engaging short story by Rainbow Rowell, author of the bestselling Eleanor & Park, Fangirl and Carry On. Kindred Spirits has been specially produced for World Book Day.

Opinião:
Kindred Spirits passa-se nos dias antes da estreia de Star Wars. Elena é uma rapariga que desde muito nova sempre teve uma grande paixão por Star Wars, inicialmente influenciada pelo pai e posteriormente por autorrecriação. Assim sendo quando foi anunciado o novo filme Elena decide que vai ficar à espera na fila para estreia. Que irá acampar durante uns dias à porta do cinema de modo a poder viver com outras pessoas como ela toda a euforia e amor que Star Wars desperta na sua legião de fãs. Contudo o que acaba por acontecer não é bem aquilo que está à espera.

Durante os dias de espera existem apenas três pessoas na fila. Sendo que uma delas é um rapaz da sua idade. Foi interessante ver como apesar da desmotivação que acaba por a apanhar Elena não desiste da sua demanda e se consegue manter fiel ao seu ideal até ao fim, apesar de alguns momentos mais constrangedores. Ao mesmo tempo Elena, através da sua animação e do seu esforço, consegue com que Gabe, o tal rapaz se torne mais social e entre também no mood correcto. Durante a sua estadia à porta do cinema Elena acaba por se aperceber de que talvez Gabe não seja um desconhecido como pensava e que é nos locais mais inesperados que muitas vezes acabamos por descobrir amizades que de outra forma não descobriríamos. Claro que no final existe um pequeno twist que adorei.

Um pequeno conto bastante interessante e caloroso que me deixou bastante satisfeita.